Waldery Rodrigues: Resultado Fiscal em 2019 foi muito bom, mas ajuste precisa ser mantido

Em entrevista, secretário especial de Fazenda reforçou a necessidade de aprovação das reformas e cautela diante dos avanços conquistados

por publicado: 23/01/2020 21h33 última modificação: 23/01/2020 21h33

23-01-2020 - Secretário Waldery Rodrigues conversa com jornalistas

Redução do déficit primário previsto, diminuição na despesa com juros da dívida, queda do déficit nominal estimado e redução da relação dívida/PIB. Mesmo diante dos indicadores fiscais positivos registrados no país em 2019, o secretário especial de Fazenda do Ministério da Economia, Waldery Rodrigues, frisa que nem metade do ajuste fiscal necessário para alcançar o equilíbrio das contas foi realizado.

Em entrevista concedida à imprensa na tarde desta quinta-feira (23/1), Waldery destacou que a equipe econômica não trabalhará olhando apenas no retrovisor. Segundo ele, em janeiro de 2019, a equipe traçou as previsões para o ano que vinha pela frente e, observando os números agora, os dados fiscais estão muito melhores. E os avanços mostram que as medidas tomadas foram acertadas. “Ainda assim, o país atravessará em 2020 o 7º ano consecutivo de déficit primário. Ou seja, o dever de casa foi feito em 2019, mas o zelo fiscal tem que continuar”.

O dever de casa foi feito em 2019, mas o zelo fiscal tem que continuar.  Waldery Rodrigues

O secretário ressaltou que a estratégia para 2020 é seguir a agenda de reformas estruturais. De acordo com ele, com o Brasil seguindo essa trilha, as perspectivas são muito boas para a economia neste e nos próximos anos. Os dados da Secretaria Especial de Fazenda mostram que, ano após ano, o país irá melhorar o resultado nominal, a relação dívida/PIB seguirá em queda e o déficit primário será substancialmente diminuído.

Economia de R$ 400 bilhões com redução dos juros

Waldery Rodrigues anunciou que as estimativas indicam uma potencial redução no pagamento de juros da dívida de R$ 104,5 bilhões em média por ano, no período entre 2019 e 2022. “Ou seja, até 2022, os cálculos mostram uma redução substancial no pagamento de juros da dívida, ultrapassando R$ 400 bilhões no total do período”, informou, acrescentando que somente em 2019, números preliminares, indicam que houve R$ 69 bilhões de economia nesta despesa financeira.

Para ele, a agenda de transformação do Estado já tem implicações positivas na ampliação de vagas no mercado de trabalho e na melhoria do nível de renda. “Também é importante reiterar que este governo não trabalha com a hipótese de aumento da carga tributária”, disse.

Ritmo de tramitação das PECs

Também na coletiva, o secretário mostrou confiança no ritmo de tramitação das reformas estruturais no Congresso Nacional. Segundo ele, o governo acredita que ainda no primeiro semestre deverão ser aprovadas nas duas Casas a PEC 186 (PEC Emergencial), a PEC 187 (PEC dos Fundos) e a PEC 188 (PEC do Pacto Federativo). “Além delas terem sido muito debatidas desde o ano passado, há o interesse de vários agentes envolvidos, pois leva ao fortalecimento fiscal da Federação como um todo”, explicou.

Política Creditícia

Outros pontos de destaque na fala do secretário foram a mudança do perfil do crédito no país, com o crédito livre maior do que o direcionado; a intensificação do debate em torno da agenda de mercado de capitais – especialmente dentro do grupo de estudos “Iniciativa Mercado de Capitais (IMK); e as ações para destravar linhas de crédito agrícola que favoreçam, sobretudo, os pequenos e médios agricultores.

Salário mínimo

Respondendo a perguntas dos jornalistas sobre a metodologia de cálculo do salário mínimo foi informado que há análises preliminares quanto a sistemática desta definição. As diretrizes básicas são: preservação do poder de compra do salário mínimo, transparência e previsibilidade do processo.

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