Casas de repouso nos EUA montaram operação para preparar equipes médicas durante período de crise que afeta diretamente os idosos

A covid-19 é uma doença que desperta cuidados redobrados para diversos grupos de risco, entre eles os idosos. O surto de coronavírus na Itália, por exemplo, teve 83% das mortes ligadas a indivíduos com mais de 60 anos de idade.

Líder nas estatísticas de infectados, os Estados Unidos tiveram casos relatados em 613 asilos licenciados na região de Nova York. Até a primeira quinzena de abril, 4.630 pacientes haviam sido confirmados nas casas de repouso da área e 1.439 idosos perderam a vida.

Os números parecem alarmantes, mas uma pesquisa feita pela Universidade de Michigan mostrou que a situação poderia ser pior se o país não tivesse tomado medidas de prevenção a pandemias após o surto de H1N1 em 2009.

Planejamento pós-H1N1

Pessoas com mais de 60 anos fazem parte dos grupos de risco do coronavírus. (Fonte: Shutterstock)

Um estudo publicado no Journal of the American Geriatrics Society comparou dados de 130 asilos norte-americanos entre 2007 e 2020 para analisar de que maneira eles se prepararam para uma nova pandemia.

Em 2005, quando os EUA foram atingidos pela gripe aviária (H5N1), apenas 57% das casas de repouso tinham estoque de suprimentos médicos para encarar uma crise. Na metade de março de 2020, quando a segunda pesquisa foi feita, a quantidade crescimentou para 85%. Entre os recursos utilizados para enfrentar a covid-19 estão máscaras cirúrgicas, luvas e higienizadores para as mãos.

As pandemias de H5N1 e H1N1 serviram para preparar os asilos norte-americanos para uma possível ocorrência futura, o que acabou acontecendo com o novo coronavírus em 2020. Após 13 anos da primeira entrevista nas casas de repouso, a maioria respondeu ter orientado as equipes médicas sobre como se portar durante um período de crise.

Além dos treinamentos de preparo e prevenção para novas infecções, os asilos de Michigan conseguiram aprimorar seu esquema de integração com o sistema local. Um dos focos para a mudança foi estabelecer linhas diretas de comunicação com hospitais da região e departamentos públicos de saúde.

Outro objetivo recente foi a preparação para eventuais baixas médicas. A maior parte das casas de repouso que participaram da pesquisa disse esperar contar com menos profissionais durante o surto de covid-19. Com isso, dois terços dos asilos acreditavam ter que pedir para o restante da equipe trabalhar em turnos prolongados.

Medidas de prevenção

Higienização das mãos é medida importante para combater a covid-19. (Fonte: Shutterstock)

Assim como boa parte da sociedade, os asilos estadunidenses precisaram se adaptar às recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS). Em áreas em que o vírus começa a se disseminar de maneira acelerada, uma cartilha de ações foi fornecida para combater a doença. Pacientes com suspeita ou confirmação de covid-19 devem ficar em uma área separada dos demais.

De acordo com a coordenadora da pesquisa na Universidade de Michigan, Lona Mody, também é preciso dar enfoque à realização de testes rápidos para todos os pacientes dos asilos. Em meio ao isolamento social, visitas e atividades em grupo são restringidas para evitar uma possível contaminação entre indivíduos.

Equipe médica

Os funcionários e prestadores de serviço para os abrigos também devem seguir recomendações pensando no bem-estar dos internos. A checagem diária para sintomas da covid-19, como a febre, é um passo importante para garantir que nenhum membro da equipe esteja com a infecção e evitar a transmissão.

Fica a cargo da equipe médica a utilização de máscaras e materiais reforçados para a prevenção durante as atividades cotidianas nas casas de repouso. Os funcionários são responsáveis por calcular o consumo de recursos e alertar as instituições sobre os estoques. Outro ponto importante na rotina desses profissionais são os cuidados com a higienização, já que a limpeza constante das áreas de trabalho, superfícies e utensílios serve como medida de prevenção ao contágio.

Alerta em casos de óbito

O documento produzido pela Universidade de Michigan aponta um tópico delicado durante a pandemia. Em casos de falecimento de algum paciente por covid-19, é necessário que os asilos tenham um plano de prevenção para cuidar dos demais.

Existe também uma preocupação quanto ao contato com as famílias, pois faz parte da função dos estabelecimentos manter os parentes informados e determinar formas de comunicação entre eles. Para isso, Mody sugere que sejam fornecidos meios de contato virtual para evitar a solidão dos idosos e permitir que demonstrem e recebam afeto.

Fonte: Science Daily, Estadão e El País.

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