Uma conversa normal gera gotículas no ar que podem permanecer suspensas por dezenas de minutos ou mais e são capazes de transmitir doenças em espaços confinados

AFP

14/05/2020 – 02:20 / Atualizado em 14/05/2020 – 02:24

Uma enfermeira, de máscara, conversa com um idoso Foto: Getty Images Uma enfermeira, de máscara, conversa com um idoso Foto: Getty Images

As microgotas de saliva gerados durante a fala podem permanecer suspensos no ar em um espaço fechado por mais de dez minutos, de acordo com um estudo publicado nesta quarta-feira (13), que destaca o provável papel desse mecanismo na propagação do novo coronavírus.

Seguro: Qual a distância ideal para se proteger do contato com o coronavírus?

A disseminação do Sars-Cov-2 por tosse e espirros é amplamente conhecida, mas quando falamos, também projetamos gotículas invisíveis de saliva que podem conter partículas virais. Quanto menores, mais permanecem suspensos no ar, enquanto os mais pesados, devido ao efeito da gravidade, caem mais rápido no chão.

Grande aglomeração em fila para entrar no banco Itaú nesta segunda-feira em Nova Iguaçu. Reportagem contou cerca de 300 indivíduos em frente à agência Foto: Cléber Júnior / Agência O Globo Grande aglomeração em fila para entrar no banco Itaú nesta segunda-feira em Nova Iguaçu. Reportagem contou cerca de 300 indivíduos em frente à agência Foto: Cléber Júnior / Agência O Globo

A transmissão pelo ar expirado é bem estudada para vírus como o sarampo, que é um dos mais contagiosos e conhecidos e capaz de apresentar gotas microscópicas, mas os pesquisadores ainda estão tentando quantificar esse tipo de transmissão para o vírus que causa a COVID-19.

Pesquisadores do Instituto Nacional de Diabetes e Doenças Digestivas e Renais (NIDDK), que integra os Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos, fizeram uma pessoa repetir a frase “permanecer saudável” em voz alta por 25 segundos em uma caixa fechada. No experimento, um laser projetado na caixa iluminou as gotas, permitindo que fossem vistas e contadas. As gotas permaneceram no ar por uma média de 12 minutos. Considerando a concentração conhecida de coronavírus na saliva, os cientistas estimam que falar em voz alta pode produzir o equivalente por minuto de mais de 1.000 gotas contaminadas, capazes de permanecer no ar por 8 minutos ou mais em um espaço fechado.

Leia: Saiba como desembaçar os óculos ao usar máscara para se proteger do coronavírus

“Essa visualização direta demonstra como a fala normal gera gotículas no ar que podem permanecer suspensas por dezenas de minutos ou mais e são capazes de transmitir doenças em espaços confinados”, concluíram os pesquisadores. Em um artigo publicado na revista NEJM de abril, a mesma equipe descobriu que falar menos alto produzia menos gotas.

A confirmação do nível de contágio do Sars-Cov-2 falando e não apenas pelas gotas de saliva que caem nos interruptores, rampas ou maçanetas ajudará a justificar cientificamente o uso da máscara, agora recomendada em muitos países, e a explicar a alto contágio do vírus.

Leia mais: https://oglobo.globo.com/sociedade/coronavirus-eminentemente-capaz-de-se-espalhar-pela-fala-diz-estudo-americano-24426031