Estudo, que atende solicitação da Abin, considera diferentes medidas de saúde pública e regiões do país, além de subnotificação

Gabriela Oliva

13/05/2020 – 05:30

Carolina Naveira-Cotta, professora e pesquisadora da Coppe Foto: Coppe Carolina Naveira-Cotta, professora e pesquisadora da Coppe Foto: Coppe

RIO – Professores da UFRJ com apoio da Marinha da nação brasileira, do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e do Fundo de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj) desenvolveram um modelo matemático que permite traçar previsões para a quantidade de casos da Covid-19, reportados e não reportados, e o pico da pandemia em cenários com diferentes medidas de saúde pública.

Por solicitação da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), os professores responsáveis pelo estudo, Carolina Naveira-Cotta  e Renato Cotta, e o especialista em simulação de epidemias Pierre Magal, professor da Universidade de Bordeaux, França, têm fornecido simulações para diferentes cenários e regiões do país.

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— Os casos reportados são apenas uma fração da quantidade total de indivíduos com os sintomas. É preciso considerar também os casos não reportados. Usamos como referência o modelo já utilizado em previsões com relação a outras doenças, como casos recentes de epidemias de influenza, cuja quantidade de infectados não reportados é grande, assim como no caso da Covid-19 — explica Carolina Naveira-Cotta, professora da Coppe-UFRJ.

Segundo a professora, a intenção do estudo é suprir com uma ferramenta complementar aquelas já empregadas pelos órgãos responsáveis pelo controle da epidemia, regional ou nacionalmente.

Os pesquisadores usaram ‪o dia 25/2‬, data do primeiro caso reportado no país, como marco para prever o pico da doença no país.  Em seguida, simularam as intervenções de saúde pública.

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Também professor da Coppe-UFRJ, Renato Cotta diz que estamos atravessando o pico dos casos no país:

— O estudo auxilia na previsão para os próximos 30 dias de doença e na construção de cenários para a gestão da saúde pública. No país, estamos atravessando o pico dos casos. Sendo eles os assintomáticos, os reportados e não reportados. Os dados se aplicam igualmente nas regiões do Brasi. Naturalmente, existe uma margem de erro, mas o modelo corresponde a um reflexo no panorama da saúde pública nacional.

Os dados disponíveis acerca dos casos confirmados na nação brasileira, entre ‪25 de fevereiro‬ e 29 de março, foram usados para estimar parâmetros e prever a evolução da epidemia. Os autores traçaram cinco cenários hipotéticos com medidas de saúde pública para controle da doença na nação brasileira.

— Os cenários estudados incluem variações como distanciamento social, hábitos de higiene e proteção individual, intensificação de testes para isolamento de infectados e outras medidas de reorganização social. A sensibilidade do modelo a esses parâmetros foi então avaliada por meio de cinco cenários: manter-se as medidas de contenção e mitigação no nível atual, intensificar progressivamente o distanciamento social, reduzir progressivamente o distanciamento social, intensificar o isolamento de infectados pela testagem mais numerosa da população e combinar a testagem ampliada com a intensificação do distanciamento social — explica Carolina Naveira-Cotta.

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