Fabricado pela empresa farmacêuitica americana Gilead, ele já é usado de forma experimental nos Estados Unidos e Japão

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18/05/2020 – 10:43 / Atualizado em 18/05/2020 – 11:42

Antiviral pode ter venda liberada pela União Europeia Foto: Reuters Antiviral pode ter venda liberada pela União Europeia Foto: Reuters

BRUXELAS —  A União Europeia deve dar sinal verde, nos próximos dias, para a venda do remdesivir como tratamento contra a Covid-19, segundo informou o chefe de medicamentos da União Europeia, Guido Rasi, nesta segunda-feira.

O antiviral é uma das substâncias testadas para o tratamento do novo coronavírus, e apresentou fechamentos clínicos positivos em testes recentes. Os Estados Unidos liberaram apenas de forma experimental o uso do medicamento, desenvolvido pela empresa farmacêutica Gilead, em casos de emergência em pacientes com Covid- 19.

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A demanda por remdesivir está aumentando, pois atualmente não existem tratamentos ou vacinas aprovados para doenças respiratórias causadas pelo novo coronavírus.  Uma autorização provisória de venda da União Europeia permitirá que um medicamento seja vendido por um ano em 27 países antes que todos as informações necessários sobre sua eficácia e efeitos colaterais estejam disponíveis.

A declaração de Rasi veio no mesmo momento em que a farmacêutica Moderna anunciou, nos EUA, fechamentos animadores para o progresso de uma vacina contra a Covid-19 já testada em humanos, ainda em fase inicial.

O chefe de medicamentos da União Europeia também alertou que a Europa poderá enfrentar uma escassez da vacina contra a doença se ela for desenvolvida dentro de um ano, ecoando as preocupações levantadas pelos ministros da União Europeia e autoridades de saúde no início de maio. Dada a possibilidade de a vacina ser desenvolvida fora da zona europeia e de sua capacidade de produção ser insuficiente, Rasi afirmou que a União Europeia deve ter uma estratégia comum urgente para administrar as vacinas primeiro aos mais necessitados, como os profissionais de  saúde

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 A Agência Europeia de Medicamentos (EMA) já recomendou o uso compassivo do remdesivi. A recomendação permite que um medicamento seja administrado aos pacientes antes mesmo de sua venda ser autorizada. E o ato coincidiu com uma autorização de emergência da Agência de Medicamentos e Alimentos dos Estados Unidos (FDA) no início de maio, depois que a Gilead forneceu dados mostrando que o medicamento ajudou pacientes com Covid-19.

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Além dos Estados Unidos, o Japão também autorizou o uso experimental do medicamento.

Aprovação acelerada na Europa

A União Europeia está avançando rapidamente para o próximo passo no procedimento de autorização. O processo equivalente nos Estados Unidos é chamado de “aprovação acelerada”, em oposição à autorização padrão da FDA para medicamentos que passam em todos os testes antes de serem colocados no mercado.

Enquanto a pressão aumentar para acelerar a produção de medicamentos, a Gilead informou que estava em negociações com fabricantes de produtos químicos e de medicamentos para produzir o remdesivir para os mercados europeu e asiático até pelo menos 2022.

A empresa também está negociando licenças de longo prazo com vários fabricantes de medicamentos genéricos na Índia e no Paquistão para produzir o antiviral para países em progresso.

No entanto, ainda não está claro quando quantidades suficientes do medicamento estarão disponíveis para atender às necessidades de tratamento em escala planetária. Além do remdesivir, Rasi disse que outros tratamentos possíveis para a Covid-19 poderiam estar disponíveis. São aqueles baseados em anticorpos monoclonais, que podem “neutralizar” o novo coronavírus.

Rasi também alertou que a Europa poderá enfrentar uma escassez da vacina contra a doença se ela for desenvolvida dentro de um ano, ecoando as preocupações levantadas pelos ministros da União Europeia e autoridades de saúde no início de maio. Dada a possibilidade de a vacina ser desenvolvida fora da zona europeia e de sua capacidade de produção ser insuficiente, Rasi afirmou que a União Europeia deve ter uma estratégia comum urgente para administrar as vacinas primeiro aos mais necessitados, como os profissionais de  saúde.

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