Na Baixada Santista, estruturas hospitalares pública e particular estão sendo monitoradas de forma conjunta

Henrique Gomes Batista, Elisa Martins e Constança Tatsch

14/05/2020 – 05:30 / Atualizado em 14/05/2020 – 07:01

Orlando Morando, prefeito de São Bernardo do Campo Foto: Pedro Kirilos / Agência O Globo Orlando Morando, prefeito de São Bernardo do Campo Foto: Pedro Kirilos / Agência O Globo

SÃO PAULO – O taxista Emerson Gonçalves, de 47 anos, não estava muito preocupado com o surto do novo coronavírus: falhava no uso de máscaras e nem sempre se lembrava de usar álcool em gel. Em meados de abril, começou a sentir “um resfriado mais forte que o normal”.

Foi para a UPA de São Bernardo do Campo, no ABC paulista, onde mora, e foi diagnosticado com Covid-19. Ele piorou e precisou ser internado, mas, naquele momento, não havia mais leitos públicos disponíveis. A prefeitura estava em vias de entregar dois novos hospitais em maio e, por isso, não tinha investido em estruturas de campanha:

— Quando me contaram que não tinha vaga fiquei preocupado, mas poucas horas depois fui encaminhado para o Neomater, hospital privado da região. Não fui para o respirador, mas tive que usar cateter de oxigênio. Hoje estou melhor, mas me assustei muito.

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Gonçalves é um dos 19 pacientes que, sem plano de saúde, foram atendidos em hospitais privados na cidade. Isso porque São Bernardo do Campo foi a primeira prefeitura do país a requisitar, de forma administrativa, leitos de hospitais privados. Destes, oito seguem internados.

Essa solução, prevista em lei, gera debates sobre como remunerar as empresas de saúde. A medida foi tomada pelo prefeito Orlando Morando (PSDB) para atacar um problema urgente de falta de leitos, que ele espera ter resolvido com a inauguração de dois hospitais que ampliaram em 376 leitos a rede municipal da cidade de 840 mil habitantes.

—  Resolvemos uma urgência, que agora será sanada com os novos hospitais. O debate agora é como pagar os hospitais. O SUS fala em R$ 1.600 por dia de UTI, mas tem hospital que cobra mais de R$ 5 mil. O instituto de previdência da cidade paga R$ 3.600 pela diária, esse é o meu teto, mas quero chegar a um acordo mais próximo da tabela do SUS —  disse o prefeito.

Este modelo está longe de ser o mais usado pelas prefeituras. Embora esteja previsto em lei e possa ser utilizado sem a necessidade de ação judicial, pode levar a questionamentos jurídicos pelo valor da indenização.

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A 51 quilômetros de São Bernardo do Campo, o prefeito de Santos, Paulo Alexandre Barbosa (PSDB) decidiu por outro modelo: ativar novamente o Hospital Vitória, de 130 leitos, que estava fechado. A estrutura, que pertence à multinacional UnitedHealth Group, dona da Amil na nação brasileira, foi cedida gratuitamente à prefeitura, que ainda está vendo como obter equipamentos e recursos de manutenção do hospital. A resolução só foi prometida com oapoio do governo do estado em dar os equipamentos, segundo anunciou o governador João Doria nesta quarta-feira (13).

— Nossa meta, agora, é inaugurar o hospital na segunda quinzena de maio —  disse o prefeito. —  A nossa prioridade é cuidar das indivíduos, e por isso estamos monitorando, de forma conjunta, os leitos públicos e privados da Baixada Santista. E hoje, aqui, a ocupação está maior na rede privada, com cerca de 85% dos leitos de UTis ocupados, enquanto nos públicos está na casa dos 73%.

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