Comandado por renomado especialista em Covid-19, trabalho aponta que o uso de proteção pode impedir que portadores infectem outros indivíduos

O Globo e agências internacionais

17/05/2020 – 18:52

Homem usando máscara de proteção anda pelo distrito de Tsim Sha Tsui, em Hong Kong Foto: Tyrone Siu / REUTERS Homem usando máscara de proteção anda pelo distrito de Tsim Sha Tsui, em Hong Kong Foto: Tyrone Siu / REUTERS

HONG KONG – Testes realizados com hamsters comprovaram que o uso da máscara reduz acentuadamente a propagação do novo coronavírus, segundo informaram especialistas da Universidade de Hong Kong hoje. Este é um dos primeiros estudos para comprovar se o uso de máscaras pode impedir que portadores sintomáticos ou assintomáticos do vírus infectem outros indivíduos. Liderados pelo professor Yuen Kwok-yung, especialista renomado em coronavírus, os pesquisadores prepararam duas gaiolas: uma com hamsters infectados e outra com animais saudáveis. Depois, as colocaram uma ao lado da outra.

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Eles colocaram máscaras cirúrgicas entre ambas as gaiolas e ativaram um fluxo de ar da gaiola com hamsters doentes para a de animais saudáveis. Os fechamentos mostram que a transmissão do vírus diminuiu em mais de 60% quando as máscaras foram colocadas. Quando estavam sem as máscaras, dois terços dos hamsters saudáveis se infectaram em uma semana. A taxa de infecção caiu para pouco mais de 15% quando as máscaras foram colocadas na gaiola dos animais infectados e 35% na gaiola dos saudáveis. “Está muito claro que utilizar máscaras em indivíduos infectadas é mais importante do que em qualquer outra”, declarou Yuen aos jornalistas. “Agora que sabemos que grande parte dos infectados não apresentam sintomas, o uso universal das máscaras é realmente fundamental”, acrescentou. Quatro meses depois do aparecimento dos primeiros casos de Covid-19 na China, Hong Kong conseguiu limitar a quantidade de casos para mil, com apenas quatro mortes. De acordo com os especialistas, o uso da máscara e as campanhas de testes de diagnóstico em massa e de rastreamento de casos poderiam explicar o sucesso no controle da epidemia em uma cidade de 7,5 milhões de habitantes.

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