Projetos beneficiados pela agência de fomento à ciência são desenvolvidos na Fiocruz e em universidades públicas do estado do Rio

O Globo

18/05/2020 – 18:23

Testes rápidos feitos em profissionais de saúde de Niterói. Foto: Fabiano Rocha / Agência O Globo Testes rápidos feitos em profissionais de saúde de Niterói. Foto: Fabiano Rocha / Agência O Globo

RIO – A Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Rio de Janeiro (Faperj) liberou R$ 1.973.500 milhão para projetos de enfrentamento da Covid-19. Um dos projetos escolhido para receber recursos trabalha no progresso de teste diagnóstico rápido, tanto na infecção precoce como tardia. E outro receberá investimentos para o progresso de um dispositivo de ventilação pulmonar de domínio público, de fácil replicação para fabricação em massa.

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Os testes que são usados hoje identificam a infecção ativa, mas foram desenvolvidos para outros tipos de coronavírus. Alguns testes imunológicos para Severe Acute Respiratory Syndrome Coronavirus 2 já foram implantados em número limitado na China, Cingapura e Coréia do Sul, entre outros países, mas ainda não foram aprovados para uso generalizado, pois não possuem especificidade e sensibilidade suficientes. Além disso, não existe nenhum teste para identificar a imunoglobulina secretora (IgA), explica o pesquisador da Fiocruz, Carlos Morel, e coordenador deste projeto e da equipe liderada pelos especialistas do Centro de Desenvolvimento Tecnológico em Saúde/Fiocruz, Giovanni de Simone e William Provance Jr.

Morel esclarece que o teste será desenvolvido para solucionar problemas ainda existentes e visa oferecer maior precisão na identificação de indivíduos com infecção ativa (IgM/IgA), passada (IgG) e os possíveis transmissores ainda sem doença aparente.

Com esses testes, ele espera, em um curto prazo, nortear as autoridades a decidir estratégias de saúde pública e isolamento social para os carreadores do vírus e os indivíduos imunes. Segundo ele, essa estratégia poderá beneficiar a saúde pública tanto do Estado do Rio de Janeiro como de todo o país. Morel ainda ressalta o impacto que poderá ter junto aos profissionais de saúde que foram contaminados e poderão voltar ao trabalho com maior segurança. Além disso, o teste ajudará, a longo prazo, pois contribuirá para revelar até que ponto o vírus se espalhou pela população e, assim, avaliar o grau de proteção e se a imunidade é curta ou acumulativa. Este projeto recebeu recursos de R$ 753 mil reais.

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O pesquisador Luciano Luporini Menegaldo, do Programa de Engenharia Biomédica da Coppe/UFRJ, foi o outro beneficiado com recursos da Faperj. O projeto da equipe da Coppe recebeu R$ 179 mil reais e visa a produção de um protótipo de dispositivo com características que permitam utilizá-lo para ventilação de pacientes com Sars-CoV-2. A Faperj já tinha alocado recursos iniciais para o projeto em março deste ano. Menegaldo explica que a ideia é produzir um equipamento mais barato do que o encontrado no mercado, e que possa ser útil durante a demanda por ventiladores artificiais em leitos de UTI que, hoje, excede a capacidade instalada. Existem parcerias entre o grupo da UFRJ e diversas universidades e empresas, como a Whirlpool, a Petrobras e a Leap Aviation, para progresso e fabricação dos ventiladores.

Além do progresso do equipamento, a equipe da Coppe fará testes de certificação, avaliando o desempenho, segurança e robustez e procurarão mais parceiros que possam viabilizar a produção em larga escala e distribuição em tempo hábil.

Segundo o presidente da Faperj, Jerson Lima, foram liberados também recursos para o Laboratório de Virologia Molecular da UFRJ do professor Amilcar Tanuri (R$ 620,5 mil) e para o professor Agnaldo Jose Lopes da Pneumologia da UERJ (R$ 421 mil).

— Esses projetos dizem respeito à Chamada Emergencial para Combater à Covid-19.Os recursos totais para essa Ação emergencial são da ordem de 35 milhões — afirma Lima.

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— A Faperj é a principal agência de fomento de ciência e tecnologia do estado e tem como missão apoiar a pesquisa de excelência e de impacto para o estado. Diante da pandemia da Covid-19, em que cabe à ciência endereçar os diversos desafios da doença, o apoio à pesquisa e inovação é crucial. O estado tem grupos de pesquisa excelentes nas diversas áreas com relação à pandemia, especialmente na pesquisa biomédica e clínica. E neste momento, ter os recursos emergenciais é muito importante. Precisamos melhorar os testes sorológicos, pesquisar as potenciais terapias (como por exemplo uso do plasma de pacientes convalescentes), possíveis terapias medicamentosas, desenvolver ventiladores mais baratos — conclui.

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