Estudo analisou resposta de seis animais à exposição ao Sars-Cov-2

Do New York Times

15/05/2020 – 17:38 / Atualizado em 15/05/2020 – 18:01

Felino tem sua temperatura aferida em café de Pequim, na China. Foto: Lillian Suwanrumpha / AFP Felino tem sua temperatura aferida em café de Pequim, na China. Foto: Lillian Suwanrumpha / AFP

NOVA YORK — Gatos podem se infectar com o novo coronavírus, e não apresentar sintoma algum, relataram pesquisadores no “The New England Journal of Medicine” na quart a-feira (13/5). O relatório resulta de pesquisas de laboratório anteriores e de notícias de gatos domésticos — além de tigres e leões do zoológico do Bronx — que tiveram diagnóstico positivo para o Sars-Cov-2. Em vários casos, os gatos apresentaram sintomas leves. Mas os seis felinos do novo experimento não ficaram doentes e eliminaram o vírus de seus corpos por conta própria.

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Yoshihiro Kawaoka, da Escola de Medicina Veterinária da Universidade de Wisconsin, e Peter Halfmann, da Universidade de Wisconsin-Madison, juntamente com outros pesquisadores dos Estados Unidos e do Japão, conduziram o estudo, no qual três gatos domésticos foram inoculados com o vírus e três gatos não infectados foram colocados em gaiolas, cada uma delas com um dos gatos inoculados.

Primeiro, os gatos que receberam o vírus tiveram diagnóstico positivo. Então seus companheiros de gaiola também pegaram o vírus. Nenhum estava doente e todos estavam livres de vírus após seis dias, no máximo.

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Uma vez infectados, os felinos expelem partículas de vírus assim como os humanos. E do mesmo coronavírus que infecta as indivíduos, o Sars-Cov-2.

Há notícias de gatos que contraíram o vírus de humanos, mas não há notícias de indivíduos infectadas por gatos — embora os autores sugiram que o assunto mereça mais pesquisas. Teoricamente, é possível que os gatos passem o vírus para seres humanos, diz Karen Terio, chefe do Programa de Patologia Zoológica da Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade de Illinois. Ainda assim, dado o círculo social limitado da maioria dos gatos domésticos, é mais provável que eles sejam infectados após o contato com um membro humano de sua família, completa a médica.

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Esta é a razão por que os pesquisadores orientaram as indivíduos a não abrir mão do conforto da companhia felina. Os seres humanos são o perigo claro em termos de transmissão de doenças, não os animais de estimação.

Se alguém com um gato tem o vírus, recomenda-se o bom senso, finaliza Halfmann, da Universidade de Wisconsin-Madison. Organizações como o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos também sugerem manter animais de estimação afastados de seres humanos que tenham contraído a doença.

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