Pela primeira vez desde 18 de abril, capital registra três dias seguidos com menos de 100 sepultamentos por dia

O Globo

15/05/2020 – 19:02 / Atualizado em 15/05/2020 – 19:06

Número de mortes cai em Manaus, mas segue acima da média de antes da pandemia Foto: BRUNO KELLY / REUTERS Número de mortes cai em Manaus, mas segue acima da média de antes da pandemia Foto: BRUNO KELLY / REUTERS

RIO – Exemplo nacional do potencial de estrago da Covid-19, Manaus começa a vislumbrar uma saída para a crise causada pelo novo coronavírus. Embora a quantidade de óbitos diários ainda não possa ser considerado dentro do esperado, a cidade já mostra uma queda inédita. Nos últimos sete dias, 605 indivíduos foram sepultadas ou cremadas na capital. É o patamar mais baixo desde o início da disparada de mortes na cidade, em meados de abril.

Manaus registra, até esta quinta, 1.434 mortes no mês de maio. Nos primeiros sete dias do mês, foram 829. Ou seja: de uma semana para outra, a queda foi de 27%.

O recorde de mortes em uma semana havia sido contabilizado nos últimos sete dias de abril: foram 829. Com um detalhe: a prefeitura de Manaus, que divulga diariamente a quantidade de óbitos, passou a incluir as informações dos cemitérios particulares apenas a partir do dia 30. Ainda, assim maio tem registrada quantidades menores.

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Apesar da queda de mortes registradas nos cemitérios e no crematório, a subnotificação segue grande no Amazonas. Em apenas duas semanas, a quantidade de óbitos em maio já é superior ao de mortes oficiais por Covid-19 no estado desde o início da pandemia: 1.235, segundo a Secretaria Estadual de Saúde.

Em maio, ao menos 204 tiveram em seu atestado o termo “causa desconhecida”. Outras 363 foram por síndromes ou insuficiência respiratória. São os dois tipos de óbitos que normalmente escondem os casos não comprovados de Covid-19. E este número pode ser maior, já que a Prefeitura de Manaus só divulga a causa da morte dos enterros realizados nos cemitérios públicos. Além disso, no dia 10 estes dados não foram informados.

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outra informação que pode ser considerado uma fonte de esperança para os manauaras é o fato de que, pela primeira vez desde 18 de abril, a capital demonstrou menos de 100 mortes por três dias seguidos. Apesar disso, o Tarumã, principal cemitério de Manaus, segue realizando enterros em valas comuns. A média de óbitos do mês, 102,4 diários, ainda está muito acima da de antes do início da pandemia: de 30 a cada 24 horas.

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