Recomendação é lavar as mãos: especialistas atestam que a probabilidade de contaminação por periódicos — respeitadas as recomendações de higiene — é quase nula

Patricia Espinoza

19/05/2020 – 05:16

Leitura de jornal Foto: Adriana Calderoni Leitura de jornal Foto: Adriana Calderoni

A pandemia da Covid-19 tem feito a população mundial reinventar hábitos, suprimindo alguns e alterando outros. Mas, paralelamente à adequação da rotina para minimizar os riscos de contaminação pelo novo coronavírus, alguns comportamentos podem ser mantidos com tranquilidade. É o caso da leitura do velho e bom jornal de papel ou revista, entregues na porta de casa: estudos e especialistas atestam que a probabilidade de contaminação por essa via — respeitadas as recomendações de higiene — é quase nula.

— Os leitores não precisam ficar apreensivos porque o risco é mínimo. Se pensarmos, por exemplo, no tempo que o jornal leva para ser transportado da gráfica até a casa das indivíduos, o vírus perderia completamente sua capacidade infecciosa. E ainda seria absorvido pelo papel do jornal, que é poroso — explica Luciana Costa, diretora-adjunta do Instituto de Microbiologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

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Segundo estudo realizado pelo Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas dos Estados Unidos em conjunto com universidades californianas e a Universidade de Princeton, publicado em março no New England Journal of Medicine , o Sars-CoV-2 dura mais tempo em superfícies lisas e não porosas, o que não é o caso do jornal.

Além disso, é necessária uma grande quantidade de vírus para que a contaminação ocorra, como explica Mário Oliveira, mestre em microbiologia médica pela Universidade Estadual do Ceará:

— Seria preciso que a superfície do jornal tivesse tido um contato muito severo com muita gente que estivesse expelindo várias partículas carregadas de vírus. Uma conjunção de fatores improvável.

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O GLOBO vem adotando há meses uma série de cuidados em todo o processo de produção do jornal, da Redação até a chegada de seu exemplar em casa. Procedimentos foram revisados após consultas a especialistas e trocas de informações com as principais publicações do mundo.

A principal medida adotada foi reduzir ao mínimo o contato humano na produção dos exemplares, ampliando a automatização dos processos. A higienização e o uso de equipamentos de isolamento, que já eram praxe, foram reforçados. Também foram adotados cuidados na distribuição, com a elaboração de um protocolo de higiene para entregadores e carros de transporte.

Diante da preocupação envolvendo os jornais, no final de março, a International News Media Association, uma das mais respeitadas organizações de mídia do mundo, divulgou um comunicado afirmando que, de acordo com médicos e cientistas, ainda não haviam sido registrados casos de transmissão do novo coronavírus por meio de contato com jornal ou revistas impressos.

— Não há motivo para pânico. Leiam seus jornais tranquilamente. Depois, deve-se lavar as mãos — diz Viviane Alves, doutora em microbiologia e professora da UFMG.

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