Tecnologia de purificação foi uma das escolhidas em desafio de inovação da mineradora e recebeu R$ 393 mil

Rennan Setti

19/05/2020 – 16:21 / Atualizado em 19/05/2020 – 16:31

Laboratório da UFRJ que desenvolveu solução: bombeado para o módulo, o líquido passa por duplas filtragens de carvão ativado e resinas poliméricas, seguidas de uma filtragem incremento em membranas de microfiltração, transformando-se em álcool puro Foto: Divulgação Laboratório da UFRJ que desenvolveu solução: bombeado para o módulo, o líquido passa por duplas filtragens de carvão ativado e resinas poliméricas, seguidas de uma filtragem incremento em membranas de microfiltração, transformando-se em álcool puro Foto: Divulgação

RIO – A UFRJ desenvolveu uma tecnologia de filtragem de etanol para produção de álcool de padrão hospitalar, método que, com o apoio da Vale, deve proporcionar a doação de 36 mil litros do produto por semana a 24 hospitais brasileiros.

O projeto foi um dos escolhidos no Desafio Vale Covid-19, competição lançada em março pela mineradora para selecionar iniciativas inovadoras de combate à Covid-19. Coube ao Hospital Albert Einstein e à Rede Mater Dei de Saúde a avaliação técnica das 1.452 iniciativas inscritas na nação brasileira e 319 no Canadá (onde a Vale também tem operação). A empresa vai doar US$ 1 milhão às 11 soluções selecionadas.

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— Escolhemos os projetos com base no maior potencial de impacto. Estimamos que todas as iniciativas selecionadas vão impactar 500 mil indivíduos e cem hospitais — afirmou Marcos Calderon, da equipe inovação aberta da Vale.

A iniciativa da UFRJ recebeu R$ 393 mil para a expansão dos kits de filtragem a outras cinco universidades. Receberão os módulos até meados de junho a Uerj, a UFRRJ e o IFRJ, no Rio; a UTFPR, no Paraná; e a UFMA, no Maranhão.

Retirada de impurezas

O projeto nasceu a partir do Grupo de Trabalho do Álcool da UFRJ, que envolve a Escola de Química, o Instituto de Química, a Faculdade de Farmácia e a Coppe e buscava suprir a demanda dos hospitais da universidade pelo produto durante a pandemia.   

Um dos insumos doados para a iniciativa foi o álcool combustível, mas os pesquisadores perceberam que ele continha impurezas que inviabilizavam a produção de álcool de padrão hospitalar. Como costuma ser transportado por dutos e caminhões que também lidam com gasolina, o etanol acaba absorvendo hidrocarbonetos como o benzeno, que são danosos à saúde. 

Diante do problema, os pesquisadores criaram um kit com filtros para retirar essas impurezas do etanol. Bombeado para o módulo, o líquido passa por duplas filtragens de carvão ativado e resinas poliméricas, seguidas de uma filtragem incremento em membranas de microfiltração, transformando-se em álcool puro. A partir daí, ele pode ser diluído e receber os aditivos químicos para virar álcool 70% em líquido, gel ou glicerinado.

Repasse de tecnologia   

O método já está em funcionamento na UFRJ e ajudou nos esforços que permitiram a doação de 50 mil litros de álcool aos hospitais da universidade, evitando a escassez do insumo durante a pandemia.  

— O importante é que as universidades que vão receber os kits já estavam trabalhando na produção de álcool e recebiam etanol com impureza. É uma solução que permitirá que esses produtos finalmente possam chegar à sociedade — explicou a vice-diretora da Escola de Química da UFRJ, Fabiana da Fonseca.

Embora os recursos recebidos da Vale sejam suficientes apenas para a doação dos módulos para as outras cinco universidades, a ideia é compartilhar a tecnologia com outros centros de pesquisa para que eles próprios criem seus kits.

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