Nesta quinta-feira (21), o diretor de Análise em Saúde e Vigilância em Doenças Não Transmissíveis do Ministério da Saúde, Eduardo Macário, participou de entrevista sobre o enfrentamento à pandemia de covid-19. Em 63% dos óbitos, a vítima apresentava pelo menos um dos fatores de risco como cardiopatia, diabetes e doenças renais.  

A diretora substituta de Articulação Estratégica, Grace Madeline, explicou sobre os exames realizados pelos laboratórios para detecção da covid-19. 

Veja na íntegra

Boletim do Ministério da Saúde, comunicado ontem (20), mostra que a nação brasileira tem 291.579 casos confirmados de covid-19; 40% dos pacientes estão recuperados. A doença provocou e 18.859 óbitos. 

Mortes por covid-19

O diretor do Departamento de Análise em Saúde e Vigilância de Doenças Não Transmissíveis, Vinícus Macário, voltou a explicar que as quantidades de mortes registrados podem ser de óbitos ocorridos dias ou semanas antes. Pela dinâmica de alimentação das informações, aos fins-de-semana há menos registros e às terças-feiras há mais casos em razão do acúmulo de notificações. Atualmente há 3.521 falecimentos aguardando fechamentos laboratoriais. Mas ele reiterou que a nação brasileira está em uma curva ascendente.

“Temos sim um crescimento de casos, e principalmente na questão dos óbitos confirmados por coronavírus na nação brasileira. [Isso pode causar uma] falsa impressão de que mortes estão diminuindo nas últimas semanas. A medida que as investigações são concluídas são sobre semanas anteriores. É uma curva em progresso”, declarou.

Até o momento, foram 46.438 hospitalizações por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) com covid-19, 1.836 por influenza, 2.272 por outros vírus respiratórios, 54.295 por SRAG não especificada e 50.589 ainda em investigação.

Sobre o perfil dos mortos por covid-19, 69% tinham mais de 60 anos; e 63% apresentavam algum fator de risco, sendo os mais comuns doenças do coração, diabetes, doenças renais, doenças neurológicas e pneumopatias.

Em relação à penetração da pandemia, as regiões com o maior número de municípios com casos registrados são o Norte (79,6%), Nordeste (74,2%), Sudeste (59,5%), Sul (51%) e Centro-Oeste (42,6%). Em um mês, 2.063 novas cidades notificaram casos confirmados de covid-19. Outros 2.082 municípios ainda não relataram nenhum caso.

“Os dados mostram que Brasil não é país único. A evolução obedece o ciclo sazonal das doenças respiratórias, que são diferentes quando você considera Norte e Nordeste em relação ao Sul e Sudeste. Por isso que temos preocupação em relação ao crescimento da sazonalidade nos próximos meses e a preparação dos serviços de saúde nesta temporada”, disse Macário.

Cenário Internacional

A equipe do Ministério da Saúde apresentou dados sobre a situação da nação brasileira no cenário internacional. O país é o terceiro em casos confirmados e o sexto em número de mortes. Mas quando se utiliza indicadores proporcionais à população, a posição no ranking cai. O Brasil é o 55º em incidência de casos (número de casos em relação à população) e o 28º em mortalidade (quantidade de falecimentos em relação à população).

Testagem

Até o momento, foram distribuídos 3 milhões de exames moleculares (PCR) para laboratórios centrais. Ainda há 2,66 milhões em estoque. Foram analisados 423.438 exames. Há 585,3 mil exames solicitados aguardando finalização. Esse cálculo não inclui Distrito Federal e Acre pois não estão no sistema de informação do ministério.

A quantidade desta modalidade de teste (PCR) em estoque é mais de seis vezes maior do que os analisados. Perguntada sobre esse montante de exames diante das estratégias anunciadas, como o ConfirmaCovid, a diretora substituta do Departamento de Articulação Estratégica de Vigilância em Saúde da pasta, Grace Madeline, respondeu que os kits “estão parados, mas a demanda vai acontecer conforme a quantidade de casos for ocorrendo”. Ela completou argumentando que esta é “a maneira estratégia de manter laboratórios com insumos”.

No recorte por exames realizados em relação aos solicitados, a média brasileira é de 72%. Os estados com melhor desempenho são Paraná (96%), Goiás (93%), Tocantins (93%), Amazonas (91%) e Roraima (89%). Os com pior atuação são Acre (8%), Alagoas (30%), Rio de Janeiro (42%), Rio Grande do Sul (47%) e Rondônia (49%).

Segundo Grace Madeline, houve um crescimento da capacidade de testagem, chegando a cerca de sete mil por dia. “Os nossos laboratórios partiram de zero exame, pois não tínhamos no país. Foram capacitados no meio de março, e a partir de então a escala foi de crescimento geométrico. Hoje estão conseguindo realizar muitos exames”, comentou.

A Resolução nº 2.227/18, do CFM, define a telemedicina como o exercício da medicina, mediado por tecnologias para fins de assistência, educação, pesquisa, prevenção de doenças, lesões e promoção da saúde. Também estabelece que ela pode ser síncrona (quando realizada em tempo real) ou assíncrona (atendimento off-line), indicando uma série de possibilidades de atendimento a distância, como a teleconsulta, o telediagnóstico, a telecirurgia, a teletriagem, a teleorientação, a teleconsultoria e o telemonitoramento.

Após manifestação do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ) sobre irregularidades nos contratos para a construção de hospitais de campanha para enfrentar a pandemia de covid-19 pelo governo do estado, a Secretaria de Estado de Saúde (SES) divulgou hoje (21) um novo cronograma para a abertura das sete unidades que estão sendo construídas pelo Instituto de Atenção Básica e Atenção à Saúde (Iabas).

Segundo a SES, foram impostas datas limites para a entrega das unidades pela Organização Social Iabas, que vão de 27 de maio para o hospital de São Gonçalo até 18 de junho para o de Casimiro de Abreu. As unidades do Leblon e do Parque dos Atletas, construídas e geridas pela Rede D’Or, e a do Maracanã, também a cargo do Iabas, já estão em funcionamento. O outro hospital de campanha na capital, no Riocentro, é gerido pela prefeitura.

Créditos: Agência Brasil