Enquanto o Ministério da Saúde registra 218.223 notificações, inventário do grupo de pesquisadores Covid Brasil estima que haja cerca de 3,5 milhões de infectados

Yasmin Setubal

15/05/2020 – 22:18 / Atualizado em 15/05/2020 – 22:45

Policiais em Belém usam máscaras contra a Covid-19 Foto: FramePhoto / Agência O Globo Policiais em Belém usam máscaras contra a Covid-19 Foto: FramePhoto / Agência O Globo

Um inventário realizado pelo grupo Covid Brasil, integrado por cientistas da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj) e de outras instituições nacionais de pesquisa, sugere que haja um número 16 vezes maior do que o registro oficial de indivíduos infectadas pelo novo coronavírus no país. O estudo aponta para a existência de 3,5 milhões de brasileiros contaminados pela Covid-19, enquanto o Ministério da Saúde contabiliza nesta sexta (15/5) pouco mais de 218.223 casos, o que corresponde a um largo espectro de subnotificação.

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Com relação ao Rio de Janeiro, o terceiro estado brasileiro com mais indivíduos infectadas pelo Sars-Cov-2, as informações atuais revelam 19.987casos confirmados por Covid-19.  Segundo Fernando Sanches, pesquisador do departamento de Segurança e Saúde do Trabalhador da Uerj e integrante do grupo Covid Brasil, a projeção é que os óbitos que hoje contam 2.438 podem atingir o patamar de 7,2 mil em 21 de maio.

— Principalmente se não houver capacidade de resposta aos casos de severidade e que necessitem de leitos de UTI — adverte o pesquisador.

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O estudo se baseia na compilação das informações oficiais apresentados pelas entidades de saúde, em conjunto com as análises do comportamento da sociedade perante a pandemia e as estratégias adotadas pelos governantes para minimizar o impacto do coronavírus.

— Os números preditos não necessariamente vão ser concretizados, mas é uma ideia da potencialidade do crescimento desse cenário, levando em conta alguns comportamentos e mudanças na sociedade que podem influenciar diretamente no crescimento ou diminuição da quantidade de casos por dia — diz Sanches.

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O cientista atribui a incerteza sobre o total de indivíduos infectadas, bem como a taxa de mortalidade pela Covid-19, à baixa testagem da população. Porém, explica, há outras variáveis capazes de promover diferentes cenários e que precisam ser consideradas.

— Temos fatores como a presença de vulnerabilidades, condições socioeconômicas, acesso aos serviços de saúde, nível de educação da população, o entendimento sobre as medidas e estratégias de mitigação, supressão de novos casos ou de agravamento — enumera.

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