Cidades do interior impõem dificuldades ao estudo, financiado pelo Ministério do Trabalho

Rafael Oliveira

15/05/2020 – 07:00

Base da pesquisa, os testes rápidos são feitos após coleta de uma gota de sangue Foto: Agência O Globo / FramePhoto Base da pesquisa, os testes rápidos são feitos após coleta de uma gota de sangue Foto: Agência O Globo / FramePhoto

RIO – O primeiro dia da pesquisa que pretende estimar a porcentagem da população que já teve contato com o novo coronavírus na nação brasileira foi marcado por uma série de desafios. Em algumas cidades do interior, a equipe de entrevistadores se deparou com uma variedade de dificuldades. Seja com a população, seja com órgãos municipais.

Na mais inusitada delas, um dos entrevistadores foi encaminhado à delegacia enquanto tentava fazer seu trabalho. O motivo: ter “desobedecido” a quarentena colocada em ação pelas autoridades locais.

Em outros casos, os entrevistadores foram levados à sede das secretarias municipais de saúde. Só tiveram permissão para realizar os testes após o aval do secretário. Com isso, perderam um tempo de trabalho que não estava previsto.

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De acordo com Pedro Hallal, reitor da Universidade Federal de Pelotas e coordenador do projeto (encomendado e financiado pelo Ministério da Saúde), muitos municípios aparentavam ainda não saber que o estudo seria realizado. Com isso, ao invés de ajudar os pesquisadores, acabaram impondo dificuldades.

– Embora o Ministério da Saúde tenha enviado ofício para as secretarias de saúde, em alguns casos aparentemente esses ofícios não chegaram ao conhecimento das autoridades locais. Estamos trabalhando em força-tarefa para dialogar com as prefeituras e evitar prejuízos para o trabalho.

A falta de conhecimento da pesquisa também fez com que alguns moradores se recusassem a participar. O inventário consiste na realização de testes rápidos em indivíduos sorteadas em 133 cidades. Para isso, é preciso a coleta de uma gota de sangue. Hallal, no entanto, ressalta que as recusas foram pontuais.

– A equipe da pesquisa tem sido muito bem recebida na grande maioria das residências, mostrando que a população está muito interessada em ter a chance de realizar o teste para o coronavírus, e contribuir para a pesquisa, que poderá ajudar a salvar muitas vidas com as informações produzidos.

No primeiro dia, mais de 5.300 testes foram realizados. A primeira das três fases da pesquisa será realizada até o sábado. A previsão é de que, neste primeiro momento, 33.250 brasileiros sejam contemplados. Ao fim das três etapas, separadas por 14 dias cada, 99.750 indivíduos serão testadas. O objetivo é estimar a proporção de indivíduos com anticorpos para a Covid-19 e a velocidade de expansão da pandemia na nação brasileira.

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