Equipe da Vigilância Ambiental vistoria pontos que podem se transformar em criadouros de mosquitos Foto: Divulgação Equipe da Vigilância Ambiental vistoria pontos que podem se transformar em criadouros de mosquitos

Em meio à pandemia do coronavírus, o Estado do Rio Grande do Sul já demonstrou, de janeiro a abril de 2020, o maior número de casos confirmados de dengue autóctone (quando a contaminação ocorre dentro do Estado), desde o ano de 2016. Neste mesmo período, houve também o registro de quatro mortes por dengue, nos municípios de Santo Ângelo e Santo Cristo. De acordo com o Informe Epidemiológico da Secretaria Estadual da Saúde (SES), que apresenta as informações cumulativos até a Semana Epidemiológica 18 (29/12/19 a 02/05/2020), já são 3.998 casos suspeitos de dengue e outros 2.275 casos confirmados.

O Município de Lajeado confirmou um caso de dengue em março e outro em maio de 2020. Ambos foram considerados importados pelo município, pois os contágios ocorreram fora da cidade, ou seja, em outros municípios. Apesar do maior índice de infectados estar concentrado nas regiões das Missões, no Norte e Noroeste do estado, a Bióloga Catiana Lanius, coordenadora do segmento de Vigilância Ambiental em Saúde de Lajeado, órgão vinculado à Secretaria da Saúde do município, alerta que a Prefeitura de Venâncio Aires confirmou recentemente a ocorrência de 54 casos de dengue no município. “ Como é um município próximo de Lajeado, a população deve ficar atenta e redobrar os cuidados para eliminar possíveis criadouros do mosquito”, destaca.

Conforme Catiana, a prevenção e a redução de casos dependem da diminuição do índice de infestação do Aedes aegypti. Diante disso, as ações de prevenção e controle continuam sendo realizadas pelos agentes de combate a endemias e de saúde. A prioridade são as atividades de orientação à população quanto às medidas de prevenção, atendimento às reclamações e denúncias, além das vistorias nos pontos críticos, como os cemitérios, comércios de sucatas, borracharias, entre outros, bem como nos locais situados no entorno de casos suspeitos de dengue.

A bióloga explica que o Aedes aegypti é um mosquito extremamente urbano e 80% de seus criadouros se encontram no ambiente domiciliar. Com hábitos diurnos, a fêmea do mosquito se alimenta de sangue humano, sobretudo ao amanhecer e ao entardecer. Após a alimentação sanguínea, as fêmeas buscam preferencialmente criadouros artificiais, com água parada e pouca matéria orgânica, localizados em locais com sombra. Em um período que varia entre cinco e sete dias o mosquito completa seu ciclo de vida, passando pelas fases ovo-larva-pupa, até dar origem a um novo mosquito.

Dessa forma, o combate ao Aedes aegypti pode ser feito, através dos cuidados da população na eliminação contínua dos potenciais criadouros em suas residências e terrenos: “Se cada um fizer a sua parte, vamos eliminar as chances do mosquito se procriar e, assim, prevenir a transmissão da dengue e outras doenças como chikungunya e zika”, ressalta a bióloga.

DENGUE

A dengue é transmitida pela picada do mosquito Aedes aegypti, que também transmite outras doenças, como a chikungunya e zika. Após picar uma pessoa infectada com o vírus, a fêmea deste mosquito pode transmitir o vírus para outras indivíduos, podendo ocasionar uma infecção assintomática (sem sintomas), ou com sintomas leves a graves, neste último caso podendo levar até a morte. Os sintomas clássicos da dengue são: dor muscular, dor de cabeça, febre e manchas vermelhas no corpo. Como normalmente a primeira manifestação da dengue é a febre alta (39° a 40°C), é difícil de diferenciá-la de outras doenças nesse estágio inicial da doença.

O segmento de Vigilância Ambiental da Secretária de Saúde do município de Lajeado destaca que o município foi classificado como risco médio de transmissão de dengue, de acordo com o fechamento do último Levantamento de Índice Rápido do Aedes aegypti (LIRAa), realizado em fevereiro de 2020. Salienta-se que Ministério da Saúde suspendeu temporariamente, até o fim da pandemia, a realização deste inventário, o qual era realizado de forma trimestral em todos os município do país. Para mais informações e denúncias de locais que podem se enquadrar como criadouros do mosquito, o interessado deve ligar no 3982 1216.

Fotos de divulgação