Autoridades de saúde demonstram preocupação com o avanço do coronavírus no estado, principalmente nas regiões periféricas, onde o isolamento social ainda é um desafio

Ana Letícia Leão

14/05/2020 – 14:25 / Atualizado em 14/05/2020 – 14:36

Moradores das periferias de São Paulo enfrentam dificuldades para fazer isolamento social Foto: Edilson Dantas / Agência O Globo Moradores das periferias de São Paulo enfrentam dificuldades para fazer isolamento social Foto: Edilson Dantas / Agência O Globo

SÃO PAULO – Autoridades de saúde integrantes do Centro de Contigência do coronavírus em São Paulo demonstram preocupação em relação às constantes quedas na taxa de isolamento  social no estado e ressaltam a urgência de se implantar medidas de afastamento mais efetivas. O desafio maior é em relação às periferias, regiões em que o vírus tem se expandido com rapidez. Segundo Dimas Covas, coordenador do Centro de Contingência, se medidas mais restritivas não forem tomadas agora, “será tarde”.

– A epidemia se desloca para as periferias, onde temos a maior densidade populacional. Isso é um problema, sem dúvida, porque ali há condições muito propícias à transmissão. Mesmo que a pessoa se isole, ela fica em uma casa com muitas indivíduos, com uma metragem quadrada reduzida. É um desafio, só que as medidas precisam ser tomadas rapidamente. Não podemos esperar esgotar nossa capacidade de atendimento ou de ações específicas nessas regiões. Se não tomarmos medidas agora, mas daqui a uma semana, ou dez dias, será tarde. É preciso agir no sentido de implementar maior adesão às medidas de afastamento focadas nas comunidades – afirmou, em coletiva de imprensa.

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Ontem, o coordenador do Centro de Contingência já havia dito que São Paulo caminha para o lockdown em alguns municípios se não houver uma reversão nas taxas de isolamento e de ocupação dos leitos hospitalares. Ele não adiantou em quais cidades a medida poderia ser adotada, mas o governo destacou que as áreas com piores índices são a região metropolitana de São Paulo e a Baixada Santista.

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A taxa de isolamento no estado e na região metropolitana de São Paulo tem caído nas últimas semanas em comparação aas quantidades registrados no início da quarentena. Em meados de março, São Paulo atingiu taxas de 56% de isolamento, mas hoje a quantidade não tem passado de 47%, mesmo com medidas mais restritivas de circulação, como o rodízio ampliado de veículos.

– Índice de isolamento é medida indireta para a taxa de contágio. Quanto mais elevado, menor a taxa. A taxa de contágio crescimentou, então isso vai se refletir nas próximas semanas. Se cai (a taxa de isolamento), todo o esforço que fizemos antes se perde rapidamente e coloca de novo o vírus em circulação. Aponta para uma piora dos indicadores. Estamos em um momento muito crítico da evolução dessa pandemia – disse Dimas Covas.

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Nesta quinta-feira, a taxa de ocupação de Unidades de Terapia Intensiva (UTI) na Grande São Paulo é de 85%. Já no estado, a situação é menos crítica: 69%.

Há quase 10 mil indivíduos internadas entre suspeitos e confirmados para Covid-19, segundo o secretário de Saúde, José Henrique Germann. São Paulo soma 54.286 casos de coronavírus e 4.315 mortes.

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