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Ana Cláudia Oliveira, vendedora de empadas, viu o faturamento despencar com pandemia

Bruno Alfano

17/05/2020 – 04:00

Ana Cláudia de Oliveira com os quatro filhos: moradores do Portão Vermelho, na Rocinha Foto: Márcia Foletto / Agência O Globo Ana Cláudia de Oliveira com os quatro filhos: moradores do Portão Vermelho, na Rocinha Foto: Márcia Foletto / Agência O Globo

Rio de Janeiro, Brasília e São Paulo — Mãe de Yzabella e Daniel, a moradora da Rocinha, na Zona Sul do Rio, Ana Cláudia Oliveira, de 31 anos, conta que tem passado dias difíceis sem ajuda do governo. A cozinheira e vendedora de empadinhas viu seu faturamento despencar por conta da pandemia. Por outro lado, só conseguiu cadastrar um dos filhos no programa da prefeitura. Até agora não recebeu o dinheiro. Ela também aguarda R$ 1.200 do auxílio emergencial prometido pelo governo federal, que não foi pago até hoje.

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A senhora tem conseguido comprar todos os itens essenciais para alimentação?

Só o básico para mim e meus quatro filhos.

O que é o básico?

Não dá para comprar carne, frango… essas coisas assim. Dá para comprar arroz, feijão, macarrão, farinha, fubá, que eles gostam. Agora, iogurte, biscoito e fruta, essas coisas, não dá para comprar. Às vezes dá para comprar um legumezinho, porque eles gostam de comer sopa. Mas aí só legumes e macarrão mesmo. É o que temos.

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Qual é a sua fonte de renda?

Fazia empadinha para vender, mas com essa pandemia as vendas caíram muito. No momento, só tenho a pensão do pai dos meus filhos como renda. Eu usava esse dinheiro para completar o que eu ganhava com as vendas e conseguia pagar o aluguel, além de colocar comida em casa. Agora estou com o aluguel atrasado pois não estou vendendo nada e dei preferência à alimentação das crianças.

Quanto você teria para receber que não conseguiu?

Eu consegui fazer o cadastro apenas de um filho meu. Quando eu fui fazer o do segundo deu que meu meu CPF já estava cadastrado e acabou. E aí eu ligo para a escola para saber se chegou e só dá caixa postal. Vou lá e não tem ninguém para me atender. E eu tenho direito ao auxílio emergencial também. Mas esse dinheiro simplesmente desapareceu. Quando eu cheguei lá para receber no dia marcado, o indivídual da Caixa Econômica Federal falou que não sabia o que aconteceu e que eles iriam abrir um processo. Eles ficaram de entrar em contato comigo para eu receber, mas até agora nada. Eu tinha que receber R$ 200 da prefeitura e mais R$ 1.200 do auxílio emergencial. E não recebi nada.

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