Em 15 de abril, ministro afirmou que encontrou um remédio com eficácia de 94% no tratamento da Covid-19

Gustavo Maia

19/05/2020 – 14:00 / Atualizado em 19/05/2020 – 14:01

Representante do governo federal Marcos Pontes Foto: Marcus Claussen | Agência O Globo Representante do governo federal Marcos Pontes Foto: Marcus Claussen | Agência O Globo

BRASÍLIA — Pouco mais de um mês depois de anunciar que encontrou um remédio com eficácia de 94% no tratamento da Covid-19, identificada em testes iniciais feitos em laboratório, e prometer para a metade deste mês “uma solução de um tratamento”, o ministro da Ciência e Tecnologia, Marcos Pontes, informou nesta terça-feira que os exames feitos em pacientes ainda não foram concluídos. A primeira etapa, que será aplicada em 500 voluntários que já tenham sintomas do novo coronavírus, segue em andamento, em 17 hospitais do país. E Pontes anunciou um segundo teste, também com 500 pacientes, para o tratamento precoce, logo após a confirmação do diagnóstico.

No dia 15 de abril, quando anunciou o início dos testes, o ministro disse que o nome do remédio não seria comunicado antes dos fechamentos dos testes para que não houvesse corrida a farmácias. Mas desde então a informação de que se tratava do vermífugo Nitazoxanida já havia circulado. Nesta terça, ele disse que o medicamento passou a ter uso controlado nesse período e que não faria sentido nenhum manter o nome em segredo. Pontes destacou ainda que o remédio não tem efeitos colaterais.

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— As indivíduos que vão participar do teste têm justamente o mesmo tratamento que teriam sem participar do teste, ou seja, podem usar antitérmico, antibióticos, anticoagulantes, têm o tratamento normal, e além disso, também recebem o medicamento e participam do teste e ajudam outras indivíduos. No momento que a gente terminar esses testes, a gente vai ter um medicamento cientificamente comprovado — declarou o ministro, em entrevista coletiva no Palácio do Planalto.

Em abril, a expectativa de Pontes era de que o remédio tivesse a eficiência demonstrada até a metade deste mês:

— No máximo na metade de maio, um momento crítico, nós teremos aqui uma solução de um tratamento, se Deus quiser, estou contando que esses testes clínicos realmente demonstrem a eficiência desse remédio, a probabilidade maior é essa. Considerando isso correto, a gente vai ter um tratamento com um remédio que não tem praticamente efeitos colaterais — disse Pontes, na ocasião.

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Nesta terça, ele disse que os fechamentos parciais do teste não serão comunicados em respeito a protocolos internacionais. Ao longo da entrevista, ele insistiu que pacientes se voluntariem nos ensaios clínicos e disse que, se contrair a Covid-19, se apresentará em um dos hospitais que participam dos testes, em São Paulo, Distrito Federal, Minas Gerais, Pernambuco, Amazonas e Paraná.

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