SÃO PAULO – O fundo Todos pela Saúde, criado há um mês com a doação de R$ 1 bilhão do Itaú Unibanco para o enfrentamento da Covid-19 na nação brasileira, está criando dois centros que permitirão a testagem de 25 mil indivíduos por dia. As estruturas funcionarão no Rio e em Fortaleza, serão operadas pela Fiocruz e deverão estar em funcionamento no início de junho.

– Este é um dos principais legados do Todos pela Saúde, que poderá ser utilizado, no futuro, para a análise de outras enfermidades – disse Paulo Chapchap, diretor-geral do Hospital Sírio-Libanês e administrador do fundo.

A criação dos dois centros de testagem foi anunciada nesta quarta-feira, no balanço do primeiro mês do fundo. Foram destinados R$ 150 milhões aos dois centros. O do Rio terá a capacidade de processar 15 mil testes de PCR – com capacidade mais acurada de detecção de doenças -, enquanto que o de Fortaleza poderá processar 10 mil testes por dia. No início de junho os dois centros deverão começar a funcionar com capacidade reduzida, atingindo a capacidade máxima em uma semana ou 15 dias após a operação.

– Elas serão operadas na Fiocruz de Fortaleza e do Rio. Elas são muito grandes, não necessariamente vão começar a operar com a totalidade de suas capacidades, prevemos dois momentos:  no início cinco mil testes dias e acreditamos que em mais uma semana, ou quinze dias no máximo, elas estarão na capacidade máxima. A questão da testagem é um pouco mais complexa que termos apenas as centrais. Todos pela Saúde também está apoiando, em parceria com a Accenture, em ligação direta com o Ministério da Saúde, procurando organizar o que chamamos de cadeia nacional de testagem, para que possamos, de fato, ter a adequada coleta e destinação efetiva para as centrais e também para os outros pontos de análise da nação brasileira – disse  Pedro Barbosa, presidente do Instituto de Biologia Molecular do Paraná.

Os centros de testagem receberam a terceira maior destinação de recursos do fundo, que até o momento já alocou R$ 790,4 milhões. A compra de equipamentos de proteção individuais (EPIs), com R$ 269 milhões, e de equipamentos médicos (250 milhões) lideraram os gastos até o momento. Neste total foram comprados 20 respiradores que foram destinados a hospitais do Rio. Alguns equipamentos, como máscaras, devem atender à demanda dos hospitais atendidos até por três meses.

R$ 36,2 milhões foram destinados às campanhas educativas, R$ 30 à criação de dez centros de acolhimentos, que funcionarão em escolas e R$ 7,8 milhões à testagem em asilos e R$ 7 milhões ao gabinete de crise. Ainda foram alocados R$ 3,4 milhões ao estudos epidemiológicos baseados em sorologia, R$ 2 milhões em inteligência artificial (tomografia) e R$ 1 milhão em recuperação de equipamentos. Destes R$ 790,4 milhões com destinação definida, R$ 592,4 milhões já foram contratados.

O balanço do primeiro mês ainda aponta que, além do aporte inicial do Itaú Unibanco, o fundo recebeu mais R$ 18 milhões em doações, sendo 64% delas oriundas de indivíduos físicas e 36% de empresas. Claudia Politanski, vice-presidente do Itaú Unibanco, afirmou que, no momento, não estão previstos novos aportes do banco, mas todos acreditam que o Todos pela Saúde deve continuar mesmo após o fim da pandemia.

Um dos objetivos do fundo é a melhoria da gestão do SUS  e a criação de gabinetes de crise durante a pandemia. Neste sentido, Chapchap acredita que a eficiência destas unidades atendidas deva ser outro legado do fundo, bem como uma maior conscientização da população sobre a responsabilidade de cada um na saúde pública. 

– Temos que lembrar, contudo, que temos R$ 1 bilhão, enquanto o SUS custa R$ 250 bilhões por ano. O que estamos fazendo é cobrir algumas deficiências em uma crise muito pesada e tentar criar efeito demonstração que possam ser seguidos pela ação do estado, o estado é fundamental. O Todos pela Saúde está fazendo isso, realçando a ação do Estado, não estamos substituindo o Estado – afirmou Gonzalo Vecina Neto, ex-presidente da Anvisa.

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