Centros de pesquisa do Exército investem em soluções para combater pandemia

Brasília (DF), 02/06/2020 – A comunidade científica respondeu de forma rápida à crise gerada pela Covid-19. Na segunda parte da série sobre tecnologias de combate ao novo coronavírus, o leitor acompanha o empenho do Exércita nação brasileiraeiro na atual condição da situação. A Força Terrestre conta com o Departamento de Ciência e Tecnologia (DCT). O órgão é responsável pelo planejamento, organização, direção e controle das atividades científicas, tecnológicas e desenvolve uma série de atividades de assessoramento científico e tecnológico para atender às necessidades da Força, de órgãos governamentais e da sociedade em geral.

Entre as principais ações, destaca-se a pesquisa de fármacos com potencial para neutralizar o vírus Severe Acute Respiratory Syndrome Coronavirus 2, conduzida pelo Laboratório de Modelagem Molecular Aplicada à Defesa Química e Biológica do Instituto Militar de Engenharia (IME). A iniciativa conta com parceria do Laboratório de Síntese Orgânica do Instituto de Defesa Química, Biológica, Radiológica e Nuclear do Exército (IDQBRN).

Os estudos envolvem moléculas ainda não utilizadas como medicamentos, além de pesquisas sobre o Severe Acute Respiratory Syndrome Coronavirus 2 e os demais tipos de coronavírus existentes. A intenção é identificar as biomoléculas essenciais para a sobrevivência do vírus no organismo humano, que sirvam de alvos moleculares para a ação dos fármacos.

Em um universo de cerca de 22 mil moléculas, as pesquisas apontaram a viabilidade de 80 delas. Dessas, cerca de 10% mostraram-se efetivas contra o coronavírus, no ambiente de análise virtual.

Atualmente, o projeto de pesquisa encontra-se na fase de verificação da aquisição das moléculas propostas que estiverem disponíveis comercialmente e da síntese daquelas selecionadas. Além disso, estão sendo viabilizadas parcerias com o Instituto de Biologia do Exército (IBEx) e com a Fundação Osvaldo Cruz (FioCruz) para a realização dos estudos in vitro e in vivo, indispensáveis para confirmação do valor farmacêutico dessas moléculas contra a Covid-19.


Grupo de estudos

Ainda na busca de soluções urgentes na área de ciência e tecnologia para minimizar os danos causados pelo novo coronavírus, o Instituto Militar de Engenharia (IME) constituiu grupo de trabalho denominado COVID-19 Assessoramento Científico IME. Os especialistas utilizam ferramentas de pesquisa científica e de engenharia para identificar alternativas que apoiem a sociedade na mitigação da pandemia.

Somado aos integrantes do IME, o grupo conta com a contribuição de outras Organizações Militares do Departamento de Ciência e Tecnologia do Exército, como o Centro Tecnológico do Exército, a Diretoria do Serviço Geográfico, o Centro de Desenvolvimento de Sistemas, a Diretoria de Fabricação, o Centro de Avaliações do Exército e a Agência de Gestão e Inovação Tecnológica, entre outros. Esse grupo atua para fechamentos em vários segmentoes.

Com a finalidade de complementar os trabalhos dos órgãos de Saúde Pública, por exemplo, uma equipe composta por alunos, ex-alunos e professores de Engenharia Eletrônica, Mecânica e de Computação do IME está produzindo máscaras do tipo Face Shield. Para isso, são utilizadas impressoras 3D do Laboratório de Robótica e Inteligência Computacional do IME e impressoras particulares de ex-alunos e professores.

Já foram fabricadas 618 máscaras para distribuição em diversas instituições civis e militares. Foram elas: o Hospital Central do Exército, o Hospital Geral do Rio de Janeiro, a Policlínica Militar da Praia Vermelha, o Hospital Municipal Salgado Filho, a Odontoclínica Central do Exército, o Instituto de Biologia do Exército, o Hospital Municipal Miguel Couto Rio de Janeiro, o Centro Municipal de Saúde Dom Helder Câmara, o Hospital Pedro Ernesto, o Hospital Carlos Chagas, essas instituições todas na cidade do Rio de Janeiro. Também foram beneficiados, em Niterói, o Hospital Universitário Antônio Pedro e a Policlínica Militar, além de unidades de saúde dos municípios de Resende, Duque de Caxias e Petrópolis, todos municípios do Rio de Janeiro. Outros dois hospitais, em São Paulo capital, e em Fortaleza, no Ceará, ainda receberam as máscaras.

A continuidade do projeto recebe apoio da Associação de Ex-Alunos do IME, Alumni IME. Eles organizaram ação colaborativa para garantir os recursos necessários para a aquisição de insumos. O empenho do grupo traduz a importância da solidariedade e da generosidade em ambiente técnico-científico. No intuito de prestarem algum tipo de contribuição diante da pandemia instaurada, além de somarem, dividem conhecimento.


Evolução espacial

Entre diversas pesquisas realizadas, foi disponibilizado, on line, painel de estatísticas da pandemia da Covid-19, que mede a sua evolução quantitativa. A iniciativa oferece sistema para o acompanhamento da evolução espacial da doença na nação brasileira. É constituído por mapa de calor, com dados apresentados por cores, que identificam os locais com maior incidência de contaminação pelo vírus.

Esse mapeamento é realizado por especialistas da área de engenharia de computação e por pesquisadores de outras especialidades da Instituição de Ensino, que analisam a distribuição espacial dos casos, com base em informações coletadas de fontes públicas, e elaboram estimativas de curto prazo para a evolução da epidemia. Assim, de forma clara e rápida, a sociedade tem acesso a informações importantes, além de maior entendimento da situação e de seus desdobramentos.

Os dados obtidos com ferramentas de pesquisa científica e de engenharia são apresentados por estados e municípios com número de casos de doentes e de óbitos atualizados. Isso também pode auxiliar os poderes públicos no enfrentamento da doença e na tomada de decisões na busca para diminuir as consequências da pandemia. 

Ainda no campo que trabalha com tecnologia em prol da informação, a Diretoria de Serviço Geográfico (DSG) mantém a produção de geoinformação, especialmente a elaboração e a impressão de mapas, de cartas especiais e de cartas de ortoimagem, tudo com a finalidade de auxiliar o planejamento dos Comandos Conjuntos nas ações de combate à pandemia por meio da Operação Covid-19.

A DSG constrói mapas temáticos digitais e impressos com os fechamentos das bases cartográficas solicitadas e mapas dinâmicos diários no formato GIF ou MP4, os quais retratam a evolução diária da doença no País.


Protetores faciais

Já na área de pesquisa científica, o Centro Tecnológico do Exército (CTEx) realiza estudos dos requisitos e possíveis soluções para a prototipação e para a fabricação dos equipamentos portáteis de auxílio à respiração (EPAR).

A adequação dos materiais empregados nos suportes e nas placas frontais, utilizados em protetores faciais, estão em estudo. No que diz respeito especificamente aos suportes, foi desenvolvido projeto de um molde de injeção de duas cavidades para a sua produção em série. A partir desse molde, com a utilização de máquina de corte a laser, a produção pode atingir até 1000 suportes e 200 placas frontais de acrílico por dia.

Além disso, o CTEx iniciou pesquisas sobre novos materiais que poderão ser empregados na produção de equipamentos de proteção individual mais duráveis, eficazes e confortáveis.

Muitas organizações militares do Exército também trabalham na produção de equipamentos de proteção individual (EPI) e de produtos químicos. A Diretoria de Fabricação apoiou a otimização da unidade fabril do Laboratório Químico Farmacêutico do Exército (LQFEx), o que permitiu ampliar a fabricação de álcool em gel, de 250 kg para 1,25 toneladas por dia.

Além disso, por intermédio de seus Arsenais de Guerra, a Diretoria de Fabricação também produz máscaras descartáveis de proteção respiratória do tipo não cirúrgica e protetores faciais, as face shield. O Arsenal de Guerra General Câmara, no Rio Grande do Sul, por exemplo, produz 600 máscaras e 60 protetores faciais por semana, enquanto o Arsenal de Guerra do Rio e o Arsenal de Guerra de São Paulo produzem total de 680 máscaras por dia.

Os desafios são muitos, mas a vontade de vencer essa guerra se sobrepõe a qualquer obstáculo. Para o Chefe Do Departamento de Ciência E Tecnologia, General de Exército Décio Luís Schons, a união de esforços é fundamental nesse momento. “Participando do esforço nacional de combate à pandemia que assola o nosso país, os órgãos integrantes do Departamento de Ciência e Tecnologia do Exército cooperam na pesquisa, progresso e produção de diversos itens para apoiar o Exército, o Ministério da Defesa e a sociedade brasileira. Ajudar a salvar vidas, essa missão também é nossa”, reforçou o General.

Operação COVID-19

O Ministério da Defesa ativou, em 20 de março, o Centro de Operações Conjuntas, para atuar na coordenação e no planejamento do emprego das Forças Armadas no combate à COVID-19. Nesse contexto, foram ativados dez Comandos Conjuntos, que cobrem todo o território nacional, além do Comando Aeroespacial (COMAE), de funcionamento permanente. A iniciativa integra o esforço do governo federal no enfrentamento à pandemia que recebeu o nome de Operação COVID-19.

As demandas recebidas pelo Ministério da Defesa, de apoio a órgãos estaduais, municipais e outros, são analisadas e direcionadas aos Comandos Conjuntos para avaliarem a possibilidade de atendimento. De acordo com a complexidade da solicitação, tais demandas poderão ser encaminhadas ao Gabinete de Crise, que determinará a melhor forma de atendimento.

Amanhã, na terceira e última parte da série, o leitor acompanha o trabalho desenvolvido na Aeronáutica.

Por Maristella Marszalek
Fotos: divulgação Exércita nação brasileiraeiro

Para acessar fotos da Operação COVID-19, visite o Flickr da Operação.

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Confira os destaques da semana:

Assessoria de Comunicação Social (Ascom)
Ministério da Defesa
(61) 3312-4071

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