Físicos e biólogos da UFG pesquisam medicamentos contra a Covid-19

Além da vacina para a prevenção à Covid-19, descobrir medicamentos que possam auxiliar no tratamento da doença causada pela novo coronavírus se transformou em um desafio para a ciência. Pesquisadores correm contra o tempo em busca de tratamentos eficazes. Na Universidade Federal de Goiás (UFG), estudantes e professores da pós-graduação dos institutos de Física e Biologia pesquisam sobre o assunto. 

Na Física, o trabalho vai ajudar no desenvolvimento de fórmulas farmacêuticas com o uso da nanotecnologia, que manipula o material de pesquisa numa escala atômica e molecular. “Vamos caracterizar e obter informações sobre a interação desses medicamentos em sistemas biológicos e se vão interferir no sucesso de sua administração em pacientes”, descreve Sebastião Mendanha, professor e pesquisador da pós-graduação. O estudo é realizado em parceria com a Faculdade de Farmácia da UFG.

Na avaliação do professor, essa formulação, que ainda não pode ser revelada pois será patenteada, além da Covid-19, tem potencial de se ajustar ao tratamento de outras doenças virais que atingem os brasileiros. “É um novo tipo medicamento, que pretende ser acessível à população. Toda a equipe tem muita experiência em seus campos de trabalho. Vamos reunir este conhecimento para desenvolver essa formulação. A expectativa é de termos um produto no mercado, protegido intelectualmente, assim que possível”, afirma Mendanha.

Compreender a ação do novo coronavírus no organismo humano e contribuir na análise sobre os efeitos da hidroxicloroquina fazem parte dos quatros projetos de pesquisas que começam a ser analisados no Instituto de Biologia da UFG. “Em um eixo do trabalho queremos entender a alterações no sistema biológico em uma enzima receptora do vírus que entra na célula; no outro, ajudar a esclarecer a ação da hidroxicloroquina no coração de pessoas obesas”, informa Carlos Henrique de Castro, coordenador da pós-graduação em Ciências Biológicas.  Os alunos que participarão do estudo já foram selecionados.

Com o apoio da Capes, no Programa de Combate a Epidemias, os cursos receberam cinco bolsas de mestrado e doutorado. Para o coordenador da Biologia, “qualquer estudo que aumente o conhecimento dessa pandemia, que nos afeta agora, vai trazer informações para facilitar, melhorar o tratamento e trazer possíveis curas. O investimento nessas áreas mostra claramente a importância da pesquisa para o desenvolvimento de tratamentos e para facilitar o diagnóstico para essa doença”.

Na visão de Andris Bakuzis, coordenador da pós-graduação de Física da UFG, os programas específicos para atender as demandas nacionais, com o de Combate a Epidemias, são de extrema relevância. “A universidade tem o potencial de desenvolver pesquisas que atendam a esse aspecto urgente. Os físicos conseguem, por exemplo, observar o vírus da Covid-19 usando técnicas de microscopia eletrônica e de ressonância magnética que permitem que se estude a interação de moléculas e se responda a questões como a utilidade de um determinado fármaco para a terapia de alguma doença específica”, argumenta.

Programa de Combate a Epidemias

Iniciado em março, o Programa é um conjunto de ações de apoio a projetos, pesquisas e formação de recursos humanos para enfrentar a Covid-19 e estudar temas relacionados a endemias e epidemias. Duas dimensões estruturam o Programa: Ações Estratégicas Emergenciais Imediatas e Ações Estratégicas Emergenciais Induzidas em Áreas Específicas. No total, serão concedidas 2,6 mil bolsas e investimento de R$ 200 milhões ao longo de quatro anos. 

 

Com informações da Capes

 

 

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