Univates e Prefeitura divulgam resultados preliminares do Testa Lajeado

Da amostra, 45 pessoas (3,1%) foram positivas para coronavírus Foto: Júlia Amaral Da amostra, 45 pessoas (3,1%) foram positivas para coronavírus

Nesta terça-feira, dia 9, aconteceu na Univates a divulgação dos resultados preliminares de pesquisa sobre a frequência do Coronavírus em Lajeado. O Testa Lajeado é uma iniciativa da Prefeitura Municipal de Lajeado, executada pela Universidade do Vale do Taquari – Univates. Clique aqui para acessar a apresentação.

A primeira fase da pesquisa foi realizada de 30 de maio a 4 de junho, em Lajeado, com uma amostra de 1.450 participantes. Da amostra, 45 pessoas (3,1%) foram positivas para coronavírus, prevalência 14 vezes maior do que a encontrada na última rodada da pesquisa realizada pela UFPel. Com a prevalência de 3,1% encontrada na pesquisa da Univates, a estimativa é que haveria 2 mil pessoas contaminadas na cidade. Como Lajeado tinha 1440 casos confirmados no término da pesquisa, pode ser uma das cidades com a menor subdetecção (subnotificação) do Estado. Enquanto o estudo inicial da UFPel estimou 9 casos não notificados para cada positivo, Lajeado aponta menos de um caso não notificado para cada positivo.

Dos participantes, 952 respondentes são do sexo feminino (65,7%) e a média de idade foi de 49,5 anos. Entre o total dos participantes (1450), 61 eram trabalhadores de frigoríficos. Destes, 7 foram positivos. Com os dados e ajustes estatísticos, provou-se nesta primeira etapa que a probabilidade de prevalência da doença entre trabalhadores de frigoríficos é 207% maior que para demais trabalhadores.

Variáveis sociodemográficas da amostra total:

Escolaridade: média de 10,6 anos de estudo

Renda familiar mensal média: R$ 4.521,00

Variáveis sociodemográficas dos casos positivos:

Escolaridade: média de 8,3 anos de estudo

Renda familiar mensal média: R$ 2.935,00

Em relação às variáveis clínicas, os casos positivos apresentaram os seguintes sintomas: 

  • diarreia: 13,3%

  • tosse: 11,1%

  • dor muscular: 11,1%

  • febre: 8,9%

  • dor de garganta: 8,9%

  • coriza: 8,9%

  • dispneia (falta de ar): 4,4%

  • anosmia ou disgeusia (perda do olfato ou paladar): 4,4%

Houve uma associação significativa entre coronavírus positivo e o autorrelato de asma e hipertensão. A prevalência de coronavírus entre os hipertensos foi de 4,2%, enquanto que entre os não hipertensos, a prevalência foi de 2,3%. A prevalência de coronavírus entre os asmáticos foi de 5,7% contra 2,6% nos não asmáticos. 

Comportamento durante o período:

Quanto ao distanciamento social: os participantes positivos referiram a nota 7,7 (média) para cumprimento do distanciamento social; entre os negativos, a média da nota foi 8. Entretanto, esta diferença não foi significativa.

Sobre sair de casa: os participantes positivos referiram sair em média 3,4 dias por semana, enquanto que entre os negativos a média foi de 2,8. Novamente, a diferença não foi significativa.

O Reitor da Univates, Ney José Lazzari, salienta o momento histórico para a região e para a Universidade. “Para a Univates este é um momento importante pois conseguimos retornar para a sociedade dados e informações que ela tanto precisa e, ao mesmo tempo, coloca a Universidade no conjunto das instituições que estão fazendo ciência de forma séria, qualificada e que ajuda a solucionar problemas não só regionais”, comenta. 

O Prefeito de Lajeado, Marcelo Caumo, também sinaliza a importância dos resultados para o enfrentamento ao coronavírus. “É um momento marcante de muita satisfação para todos nós, porque podemos estar contribuindo para definição de políticas públicas com o resultado da pesquisa, contribuindo para o Estado, para a União e também para o mundo. Com elementos precisos, robustos, para estudar essa grande pandemia, essa grande doença que tomou conta do mundo. Lajeado vai estar deixando também sua marca na história”, frisa Caumo.

Para a professora Doutora Simone Stülp, coordenadora administrativa da pesquisa e Diretora de Inovação e Sustentabilidade da Univates, a pesquisa dará uma mapeamento completo do comportamento da pandemia. “É um projeto que visa, para além de conhecer o retrato da cidade em termos de contaminação, poder oferecer ao poder público subsídios para tomada de decisões e estratégias públicas de enfrentamento à doença. Essa pesquisa epidemiológica, também, é uma oportunidade ímpar de sermos uma referência extremamente positiva do ponto de vista de gerar conhecimento”, analisa Simone. 

Já o coordenador científico da pesquisa, professor Doutor Rafael Picon, ressalta que a pesquisa pode ser consideradas uma das maiores e mais completas do País. “Usamos um cálculo de tamanho de amostra com correção para efeito do desenho igual a 2, e empregamos amostragem probabilística por conglomerado em 3 etapas. O que significa que o tamanho da amostra é robusto e o método para realização da pesquisa é sólido. Essa pesquisa pode ser considerada em termos proporcionais um dos maiores estudos de prevalência de coronavírus no Brasil”, pondera. 

Próximas etapas:

2ª Etapa – Será realizada de 13 a 17 de junho, mapeando uma amostra de 1.100 pessoas. 

3ª Etapa – Será realizada de 27 de junho a 1º de julho, com nova amostra.

A divulgação completa será realizada em julho.

Equipe técnica

Coord. Adm. Profa. Dra. Simone Stülp

Coord. Cient. Prof. Dr. Rafael Picon

Pesquisadora Resp. Profa. Dra. Ioná Carreno

Grupo de pesquisa:

Prof. Dr. Rafael Picon

Profa. Dra. Ioná Carreno

Prof. Dr. André Anjos da Silva

Profa. Dra. Gabriela Laste

Prof. Ms. Márcio Mossmann

Prof. Ms. Guilherme C. Domingues

Acad. Enf. Magali Conte

Acad. Med. Brenda R. Gheno

Acad. Med. Lara Faria F.Heringer

Acad. Med. Letícia L. Alvarenga

Acad. Med. William P. Sant’Ana

Apoio

Prof. Ms. Rafael R. Eckhardt

Profa. Dra. Andréa Horst

Coord. Lab. Fábio Kremer

Vig. Epidemiológica/SESA

ACS/SESA

Unimed

Cons. Macrovisão

Guarda Municipal

Brigada Militar

 

Texto: Elise Bozzetto/Assessoria Comunicação Univates

Fotos: Julia Amaral