Saúde deve capacitar profissionais para trabalho remoto

Medicina diagnóstica remota pode proteger profissionais da saúde em meio à pandemia, além de melhorar eficiência no atendimento

A pandemia do novo coronavírus acelerou a transição digital na sociedade em todo o mundo, e com a medicina não foi diferente. O surto de covid-19 tornou ainda mais necessária a utilização de métodos remotos para a realização de exames e acompanhamento de pacientes, evitando a exposição dos profissionais de saúde.

A Organização das Nações Unidas (ONU) estima que a expectativa de vida aumentou em 20 anos entre 1950 e 2000. Com isso, a incidência de doenças crônicas também cresceu, e, por consequência, houve incremento no número de exames realizados.

Segundo o Painel Abramed, em 2017 foram feitos quase 820 milhões de exames, o que representa crescimento de 3% em relação ao ano anterior. Ao mesmo tempo, essas ferramentas se tornaram mais baratas. A proporção de gastos com diagnósticos na despesa assistencial caiu ligeiramente nos últimos anos: 21,46% em 2015, 21,37% em 2016 e 20,75% em 2017.

Atendimento remoto na medicina diagnóstica

Médicos podem acompanhar a realização de exames e elaborar laudos de forma remota. (Fonte: Shutterstock)

Práticas clínicas assistidas por tecnologia digital, como diagnóstico e tratamento, podem ser realizadas a distância. Alguns exames podem ser acompanhados por enfermeiros e técnicos treinados sem a presença do médico, utilizando aparelhos conectados à internet.

Os dados são enviados automaticamente, em tempo real, para que os profissionais possam emitir o laudo de diagnóstico de forma remota. O resultado pode ser compartilhado com outros médicos e com o paciente, contribuindo para a agilidade no atendimento.

O conceito de saúde digital desempenha um papel cada vez mais importante em diferentes instituições de pesquisa e está envolvido em muitos setores. Além de técnicas de diagnóstico remoto e tratamento, pode envolver reabilitação, hospitais digitais, digitalização da administração hospitalar e construção de redes regionais de assistência médica e de saúde.

Capacitação de profissionais

As faculdades tradicionais de saúde oferecem formação em medicina diagnóstica, mas não capacitam os profissionais para a realização de operações a distância. A telemedicina, ainda que tenha sido autorizada no Brasil em 2002, ganhou importância recentemente por conta da crise sanitária causada pelo novo coronavírus.

Dessa forma, não basta simplesmente oferecer as ferramentas tecnológicas para serem utilizadas pela equipe de saúde; é necessário que hospitais e clínicas promovam ações com o objetivo de capacitar os profissionais para a operação de equipamentos e a atuação sob orientação remota dos médicos.

Os profissionais devem estar aptos para utilizar sistemas de arquivamento, transmissão e gerenciamento de dados com facilidade. E o treinamento deve incluir preparação psicológica, para que a equipe de saúde consiga estar presente e acolher as apreensões dos pacientes, mesmo atendendo a distância.

Economia de custos

A realização de exames, mesmo quando o paciente não apresenta sintomas, pode ajudar a detectar patologias em estado inicial, o que barateia os gastos no sistema de saúde. O custo de um tratamento de câncer, por exemplo, é 80% mais caro em estágios finais, além de interferir nas chances de cura.

Com a realização de exames de forma remota, a economia pode ser ainda maior. A telemedicina pode dispensar a necessidade de deslocamentos de médicos e pacientes, o que permite uma melhor gestão do tempo. Se os profissionais estiverem subutilizados, podem elaborar laudos no momento ocioso tanto do consultório como de casa.

A digitalização do sistema de saúde também aumenta a assertividade dos diagnósticos. A integração dos dados de diversos pacientes pode proporcionar o uso de inteligência artificial para prever situações, bem como para possibilitar a melhor observação de sintomas e de respostas a tratamentos.

Tendência para o futuro

Com a utilização de wearables conectados à internet, fronteiras entre diagnóstico e monitoramento médico são apagadas. (Fonte: Shutterstock)

A medicina digital já foi considerada apenas um novo tipo de prática interdisciplinar. No entanto, a dinâmica da inovação, aliando o conhecimento das ciências de informação com tecnologia e metodologia científica, acabou ampliando os paradigmas da área. A digitalização e a possibilidade de atuação remota de profissionais de saúde é o futuro do setor.

Modalidades de exames de imagem, cirurgia assistida por robô e monitoramento de sinais vitais por meio de wearables ampliam as possibilidades da medicina, tornam diagnósticos e tratamentos mais precisos, além de aumentarem a segurança e o conforto dos pacientes.

Com a ajuda das tecnologias, os profissionais de saúde podem se preocupar menos com questões acessórias, como agenda e atendimento presencial, para se concentrarem em analisar sintomas e resultados de exames, propiciando diagnósticos mais rápidos e precisos.

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Fontes: Saúde Business, MV, Kamila Liberali/Medium e Saúde Business

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