Empresas do RS intensificam ações solidárias durante a pandemia

A pandemia do novo coronavírus é um desafio a mais para empresas preocupadas com seu impacto social. Com o mercado cada vez mais exigente, marcas se destacam em um cenário de crise com ações solidárias na comunidade em que atuam. É o caso do Birô Ateliê e do Botão do Bem, que fazem parte do AGIR – Programa de Aceleração para Geração de Impacto no RS – promovido pelo Sebrae RS.

Empresas do RS intensificam ações solidárias durante a pandemia

Bianca Rodrigues e Gilian Kaiser construíram a Birô Ateliê com o propósito de vestir responsabilidade, inspiração, igualdade e respeito. A marca tem uma parceria com a Ciclo Reverso, um negócio de impacto socioambiental que reutiliza as sobras de materiais sólidos das roupas criadas e transforma em outros produtos pelas mãos de mulheres em vulnerabilidade social. A preocupação com sustentabilidade também se estende para o início da produção, quase 100% dos tecidos são reaproveitados.

A Birô, assim como muitas outras empresas, precisou se adaptar à crise. Para Bianca, uma das sócias da marca, a pandemia trouxe grandes mudanças. “Não conseguimos manter nossa produção interna e fomos em busca de outra alternativa. Conseguimos dar oportunidades para quem estava sem trabalho”, disse. A empresa também doou máscaras para hospitais e está gravando aulas para capacitar as mulheres que fazem parte do projeto social da marca junto com a Ciclo Reverso, paralisado devido a pandemia.

Botão do bem

O engenheiro Eduardo Makiyama, criador do Botão do Bem, encontrou uma saída depois de três meses quase sem faturamento. O dispositivo envia um alerta quando o usuário está em situação de risco e estava sendo amplamente aceito pelos motoristas de aplicativos antes da pandemia. “O processo de venda é longo com os idosos, nosso público inicial, e com os motoristas de aplicativo achamos uma forma de monetizar rápido. Eu ia todos os dias para a Carlos Gomes e chamava um carro pelo aplicativo, ficava indo e voltando e oferecendo o produto. Deu certo, mas com o Covid tudo ficou complicado”, destacou Eduardo.

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Eduardo precisou estudar seu público para entender o que poderia explorar. “Em Santa Catarina os aplicativos voltaram à ativa em junho e voltei nosso marketing para lá e funcionou. Conseguimos sair do zero. Com o isolamento, a violência doméstica também aumentou e começamos a ter a procura de institutos que auxiliam mulheres que passaram por esta situação”, disse o engenheiro.

Pensando ainda no impacto social da sua criação, Eduardo conta que o cordão em que o equipamento pode ser colocado é fabricado com tecido de guarda-chuvas e couro sustentável. As costureiras dos cordões são vítimas de violência e esta se tornou a principal fonte de renda delas durante a pandemia. “Elas são da Serra e o turismo diminui bastante, consequentemente a produção também”, conta.

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É preciso estar atento para descobrir formas de se reinventar. O Botão do Bem faz o uso de três impressoras 3D para a criação quando desenvolve protótipos e começou a criar máscaras de proteção com o equipamento. “Vi que conseguiria encontrar de forma fácil o modelo na internet e resolvi falar com quem assina nosso plano ‘Boto Fé Na Causa’. Perguntei se poderia utilizar a diferença de 10% em relação ao plano mais simples para a produção de face-shields e todos aceitaram prontamente”, afirmou. As máscaras foram doadas para hospitais.

A gestora de projetos do Sebrae RS, Lissandra da Silva Monza, afirma que as iniciativas são super positivas no mercado e para as marcas. “As ações mostram seus propósitos e suas estratégias cada vez mais conscientes sobre a importância de sua responsabilidade e da própria conexão com a sociedade. O Programa Agir tem justamente o objetivo de apoiar estas empresas a criarem ações reais, modelando seus negócios e direcionando seus esforços neste sentido”, reforça a gestora.

Créditos: Sebrae RS