Outubro Rosa: saiba como prevenir o câncer de mama

Com uma incidência no Rio Grande do Sul superior à brasileira, o câncer de mama é o tumor mais comum entre as mulheres. Enquanto em nível nacional, segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca), 56,33 em cada 100 mil mulheres desenvolvem a doença, no Rio Grande do Sul este número salta para 88,28 para cada 100 mil. Em Porto Alegre, é quase o dobro: 147 casos para cada 100 mil. Nesta reportagem, conheça a melhor forma de prevenir e diagnosticar de forma ágil o tumor,

Foto da oncologista Elisabeth, sorrindo, de óculos, em um carro
A oncologista Elisabeth Nielsen Palmeiro aponta fatores comportamentais de risco de desenvolver o tumor – Foto: Arquivo Pessoal

A oncologista e médica do Dmest Elisabeth Nielsen Palmeiro aponta que, entre os fatores de risco para desenvolver o câncer de mama, estão obesidade, tabagismo, alcoolismo e sedentarismo – todos fatores comportamentais, que podem ser prevenidos. Outros pontos que aumentam o risco de desenvolver o tumor são o uso de anticoncepcionais hormonais e a gestação somente após os 30 anos. “As mulheres precisam saber dos fatores de risco para fazerem as suas escolhas. É fundamental as pessoas lerem, se informarem, conversarem com seu médico”, destaca.

Para a médica, é preciso que as mulheres pensem nos cuidados a serem tomados com a saúde desde jovens, para evitar se tornar uma pessoa idosa com fatores múltiplos de risco. No Rio Grande do Sul, Elisabeth alerta que a alimentação tradicional, com a ingestão de embutidos como salsichões, presuntos e charque, por exemplo, que possuem substâncias carcinogênicas, é algo a se ter cuidado. “Essa é uma prevenção primária, que só acontece se mudarmos nossos hábitos de forma permanente”, pontua.

Além de prevenir, é preciso que, caso o tumor se desenvolva, ele seja remediado o quanto antes. Dados do Inca indicam que 95% dos casos de câncer de mama são curados, se diagnosticados na fase inicial, com menos de um centímetro. O tumor é silencioso e não costuma trazer dor – o principal sintoma é a presença do nódulo, mas também pode haver retração do mamilo, mudança na textura da pele, presença de sangue no bico do seio e coceira. Para descobrir a doença de forma rápida, as mulheres devem fazer o exame de toque nas mamas regularmente, a fim de identificar eventuais nódulos, e ir ao menos uma vez por ano ao ginecologista.

A Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), a Sociedade Brasileira de Radiologia e a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) recomendam mamografias anuais para mulheres a partir dos 40 anos, quando a incidência do tumor é maior. Mulheres que têm histórico da enfermidade na família devem fazer mamografias anuais a partir de 10 anos antes da idade que a familiar desenvolveu a doença.

Normalmente, o tratamento do câncer de mama envolve cirurgia, em algum momento, e é complementado por quimioterapia, radioterapia ou tipos especiais de hormônios. Atualmente, conforme a oncologista, a realização de mastectomia total é rara – a intervenção está cada vez menor e vai depender do tamanho do tumor.

Elisabeth salienta que a prevenção, a partir da adoção de hábitos saudáveis, e a ida regular ao ginecologista são atitudes complementares no enfrentamento ao câncer de mama, mas as mulheres não podem esquecer de sua própria responsabilidade neste percurso. “É preciso cuidar do corpo desde moça, não fumar, se beber, beber pouco e fazer exercícios. Se tiver dúvidas ou suspeitas é fundamental perguntar, ir atrás, porque só para este ano o Rio Grande do Sul espera 5 mil novos casos do tumor”, adverte.

Créditos: SEDUC RS