Semana do Professor: docente surda dedica a carreira a ensinar Libras

Surda desde os dois anos de idade, Claudia Magnus Fialho dedicou toda a sua carreira a dar aulas para a comunidade surda. A professora, que tem 33 anos de carreira e 18 anos na Rede Estadual de Ensino, tem uma trajetória de superação, na qual enfrentou recusas de escolas do magistério que não a aceitaram por ser surda, mas que fortaleceu em si o ensino da Língua Brasileira de Sinais (Libras) e a identidade surda.

Claudia estudou desde criança na Escola Especial Concórdia, em Porto Alegre, voltada para a comunidade surda, até se formar no Ensino Médio. “Sempre sonhei em ser professora, mas foi um grande desafio: ao procurar fazer magistério, três escolas não me aceitaram, por eu ser surda”, conta. A boa filha à casa retornou: a docente foi, então, ao Seminário Concórdia, em São Leopoldo, da mesma congregação luterana da escola, para fazer o magistério junto com colegas ouvintes.

O sonho da educadora era dar aula para crianças surdas. “Nos anos 1990, não havia professores surdos”, recorda. Após o magistério, se formou em Pedagogia na Universidade Luterana do Brasil (Ulbra) e em Letras/Libras na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Trabalhou durante 33 anos como professora na Escola Especial Concórdia e atua há 18 anos como docente da Escola Estadual de Ensino Médio para Surdos Professora Lilia Mazeron.

Ao longo de sua trajetória, Claudia lutou para fortalecer a identidade surda junto aos seus alunos e mostrar a eles a história dos surdos e a cultura surda, especialmente a partir da Libras, transmitindo aos estudantes conhecimento mediado pela língua natural deles, ou seja, a língua dos sinais.

Para a professora, o caminho é longo, mas vale a pena. “Sempre lutei pelos direitos dos surdos, por entender que esse é o caminho. Hoje, há escolas fazendo mudanças, melhorando a qualidade do ensino para surdos e mostrando que, mesmo que não seja fácil, é possível”, destaca.

Pelo Dia do Professor, Claudia parabeniza os colegas e deseja que eles sigam se dedicando e batalhando, sempre com amor. “Como disse Paulo Freire: ‘O educador se eterniza em cada ser que educa’”, cita.

Créditos: SEDUC RS