Semana do Professor: educador jovem cria foguetes e leva alunos a competições

Quem visita São Marcos, uma cidade com 20 mil habitantes no interior da Serra Gaúcha, não imagina que a iniciativa de um jovem professor instaurou a cultura do foguetemodelismo na cidade. Em 2018, Marcos Grizzon, recém-ingresso na Rede Estadual de Ensino como professor de Biologia, publicou um vídeo no Facebook no qual construía e lançava um foguete simples – este foi o estopim para uma prática com seus alunos tanto em sala de aula como no contraturno, com a criação do Grupo de Foguetes São Marcos, que já levou o grupo a competições em cidades como Rio de Janeiro e Curitiba.

Grizzon tem 31 anos e possui licenciatura e bacharelado em Ciências Biológicas pela Universidade de Caxias do Sul (UCS). Antes disso, foi estudante da mesma Escola Estadual de Ensino Médio Maranhão, da qual hoje é professor. Apesar de o foguetemodelismo não ter a ver com a sua formação, esse sempre foi um interesse do docente, que conheceu muito sobre o assunto durante intercâmbio que fez fora do Brasil. “O Brasil ainda não descobriu o foguetemodelismo, mas o Japão, os Estados Unidos e países da Europa têm muita coisa a respeito”, destaca.

A união entre o gosto pessoal de Grizzon pela prática e a sua atuação como professor se deu quando, após a publicação do vídeo lançando um foguete no Facebook, um professor da UCS foi marcado e convidou o docente a levar alunos a uma competição anual de foguetemodelismo. Ele, então, montou o Grupo de Foguetes São Marcos, no contraturno dos estudantes. Na competição em Caxias, a equipe venceu a categoria de Melhor Vídeo Demonstrativo e ficou em segundo lugar na categoria de Maior Alcance.

Ainda em 2018, o educador levou a turma para Barra do Piraí, no Rio de Janeiro, para participarem da Jornada de Foguetes. Lá, eles conquistaram menção honrosa e muito conhecimento sobre a construção de foguetes feitos de garrafas pet. Uma parte do grupo também foi em 2019 para uma competição em Bento Gonçalves e tirou o primeiro lugar na categoria Maior Alcance de minifoguetes com combustível sólido. A equipe esteve, ainda, no Festival Brasileiro de Minifoguetes, em Curitiba, sendo a única do Rio Grande do Sul a ser considerada apta a lançar o foguete.

Grizzon conta que estimula os alunos a participarem sempre que há algum evento acadêmico nessa área. Mesmo durante a pandemia, apesar de não haver encontros presenciais, o grupo segue trabalhando individualmente em um projeto experimental de lançamento de foguetes a meio quilômetro de altitude, o que fará com que eles ingressem na categoria universitária.

Tudo isso, segundo o professor, é possível com o apoio de seus colegas na Escola Maranhão. “Por ser uma escola do novo Ensino Médio, ela nos dá uma possibilidade maior de trabalho, então, quando introduzimos as Leis de Newton para o 9º ano, por exemplo, usamos software aberto para lançar minifoguetes”, relata. Ele conta que, quando propôs seu projeto na instituição, mesmo que com algum receio, a direção lhe permitiu seguir adiante e tentar.

O educador diz que o engajamento dos estudantes no grupo é incrível. “Às vezes é domingo à tarde e um aluno me convida para testar um foguete no parque. Os dias de véspera de competições sempre são de muito trabalho, e eu tenho alunos maravilhosos, que se dedicam muito e se propõem a gastar o tempo deles com isso”, pontua, orgulhoso.

Para Grizzon, a receita é mostrar mais do que falar – antes de dizer como se faz um foguete, ele mostra o equipamento já pronto e lança o desafio para que a turma se engaje no aprendizado. Outro guia para o trabalho dele é conhecer a realidade e as necessidades de cada educando, para compreender a complexidade daquele indivíduo. A intenção dele, com sua dedicação, é oferecer as possibilidades que não teve enquanto aluno, de viajar e conhecer profissionais das mais diversas áreas.

Aos seus colegas professores, Grizzon pede que acreditem nos seus sonhos e tirem os projetos do papel. “Convide pessoas que estão dispostas a te ajudar e a contribuir, porque é incrível o que algo simples pode se tornar. Eu comecei com uma ideia muito simples, algumas pessoas me ajudaram e isso tomou uma proporção que nem nos meus melhores sonhos eu achava que poderia ter”, ressalta.

Créditos: SEDUC RS