Semana do Professor: educadores contam por que amam tecnologia

Muito em pauta desde o início da pandemia, o uso de Tecnologias da Informação e da Comunicação (TICs) Educacionais tem suscitado uma crescente paixão entre muitos professores da Rede Estadual de Ensino. Aqueles docentes que não utilizavam ferramentas digitais, hoje aprenderam, e os que já eram adeptos, então, agora não se imaginam sem os recursos em suas aulas. Nesta reportagem, contaremos a relação de três educadores da Rede com os meios digitais.

Professor influencer

O professor de Matemática Sandro Giovani Viégas, da Escola Técnica José Feijó, de Porto Alegre, ingressou na Rede Estadual de Ensino em 2000 e usa recursos tecnológicos em suas aulas desde 2003, quando criou um blog. De lá para cá, a intimidade com as ferramentas cresceu e, hoje, o docente é referência regional na capacitação digital de colegas, tem canal no YouTube com mais de 6 mil inscritos, página no Facebook e promoção frequente de lives.

Logo da página de Facebook do professor Viégas
Viégas tem 1,5 mil inscritos em página no Facebook e 6,2 mil no YouTube – Foto: Arquivo pessoal

Entre os recursos usados por Viégas na escola, abrangida pela 1ª Coordenadoria Regional de Educação (CRE), estão o YouTube, no qual publica vídeos com o conteúdo de suas aulas, e o Google Meet para a correção dos exercícios que passa – vídeo que também é publicado no YouTube depois. O docente usa, ainda, o Google Formulários, que automatiza a correção de questões alternativas, e o aplicativo Geogebra, que permite a criação de atividades matemáticas. Nos materiais, procura usar uma linguagem informal e memes, para prender a atenção dos estudantes. Para professores, o educador cria tutoriais e promove lives com temáticas ligadas a TICs.

Ao longo do período da pandemia, Viégas sentiu uma grande evolução no aprendizado dos professores sobre as TICs. “Noto que, agora, menos pessoas me procuram para tirar dúvidas, porque estão começando a se virar sozinhas”, celebra.

O docente ingressou no meio digital por considerar que chamaria mais a atenção dos alunos se fizesse algo diferente do que eles estavam acostumados. “O nosso aluno de hoje já vive no meio digital, já nasceu nesse meio, então, se o professor só usar o meio tradicional, ele fica muito afastado do aluno. Eu não uso quadro há cinco, seis anos, só data show, e as atividades são quase sem necessidade de entregas em papel”, conta, acrescentando que os seus alunos aprovam a conduta, pois acham que o meio digital acelera os processos.

Como mensagem pela Semana do Professor, o educador pede que seus colegas acreditem sempre na educação, apesar das adversidades, e nos alunos. “Que sigamos tentando fazer sempre o melhor para os nossos alunos, porque a finalidade de se empenhar na criação de atividades, investir no próprio aprendizado, na criatividade, é para o aluno. A tecnologia vem para auxiliar o professor nesse processo”, pontua.

Mestre dos Magos

Professor de Física e Matemática no Instituto Estadual de Educação Barão de Tramandaí, em Tramandaí, Sérgio Job Lima se relaciona com recursos tecnológicos desde a graduação e desde 2009 grava videoaulas voltadas para os colegas, com orientações sobre como usar ferramentas digitais. Em 2017, deu mais um passo em seu aprendizado, participando de um curso oferecido pelos Núcleos de Tecnologias Educacionais (NTEs) e, depois, atuando como multiplicador de conhecimentos sobre a plataforma Google For Education.

Foto do professor Sergio, com seus avatares na imagem
Sergio Job Lima adotou o pseudônimo “Mestre dos Magos” em seus vídeos – Foto: Arquivo Pessoal

Hoje, Lima adota o pseudônimo “Mestre dos Magos” e publica todas as suas aulas no YouTube – não sem antes editá-las, para que os alunos não apareçam, e inserir memes e figuras que chamem a atenção dos estudantes. “Eu tenho seis turmas de 1º ano do Ensino Médio, por exemplo, ou seja, passarei os mesmos conteúdos para todas. Gravando, eu dou uma aula só, construo, edito, abrilhanto aquela aula, fica fantástico, porque consigo colocar coisas construtivas e a aula fica muito melhor. E a aula não fica disponível só para meus 900 alunos, mas para o planeta inteiro que queira assistir”, destaca, citando aulas gravadas que tiveram 34 mil acessos.

Durante a pandemia, Lima se tornou referência em tecnologia para os colegas da região, dando dicas sobre como fazer edição de vídeos, podcasts, entre outros. “Alguns têm muita dificuldade, mas tem outros que estão apaixonadérrimos, que acham, agora, que as aulas têm que ser sempre assim. As aulas presenciais não vão deixar de existir, mas o ensino híbrido é uma realidade que precisamos nos habituar”, opina.

Lima e Viégas se uniram no amor pelas TICs e promovem, juntos, lives em todas as quartas-feiras, sobre questões ligadas à tecnologia. Na última quarta, 14 de outubro, por exemplo, a dupla tratou dos bastidores do Letramento Digital e teve como convidada Julia Ribeiro, integrante da equipe que elaborou a formação.

Nesta Semana do Professor, o educador defende que os docentes aproveitem este momento para aprender mais e aproveitar a tecnologia para ajudá-los na prática nas aulas. “Tem infinitas possibilidades do que se pode fazer através da tecnologia na educação, e este é o momento, já que estamos no distanciamento social, de aproveitar para aprender. Está sendo fantástico para mim, aprendi muito”, avalia.

Otimização e movimento

O professor de Sociologia Rafael D’Ávila Barros dá aula no Colégio Estadual Marechal Rondon, em Canoas, abrangido pela 27ª CRE. Formado em Ciências Sociais pela UFRGS, em 2013, é servidor da Rede desde 2014 e também atua em escolas particulares, de onde tirou aprendizados ligados à área tecnológica. “De certa forma, a tecnologia sempre esteve presente nas minhas práticas pedagógicas, com vídeos, construção de blogs e sites com os alunos, álbuns fotográficos digitais, atividades sempre envolvendo produções materiais”, relata.

Print de aula gravada pelo professor Rafael D'Ávila Barros
Para Rafael D’Ávila Barros, a tecnologia só tem efetividade se os professores adaptarem suas metodologias nas aulas – Foto: Arquivo Pessoal

Para o educador, a tecnologia oferece ganhos como a otimização do tempo e a possibilidade de trabalhar com diferentes linguagens, para além das aulas expositivas, com outras interações e imagens, trazendo movimento para as aulas. “As ferramentas são inúmeras. Consigo, por exemplo, fazer viagens guiadas com os alunos no Google Earth, posso fazer avaliações usando o Google Formulários, o que otimiza o meu tempo, entre tantas outras possibilidades”, cita.

Barros alerta, porém, que a tecnologia só tem efetividade se os professores adaptarem suas metodologias nas aulas e deixarem os métodos tradicionais para trás, assumindo posturas mais próximas às metodologias ativas. “O retorno dos alunos é muito bom. Eles conseguem reassistir, se descontrair, e deixam de ser alunos depositários para serem alunos mais autônomos”, reconhece.

Como mensagem para seus colegas durante a Semana do Professor, o docente destaca que a tecnologia não substitui o contato humano. “A tecnologia é uma ferramenta e, como ferramenta, só tem significado, sentido de existência, se mediada pela ação humana. O uso das tecnologias é um desafio gigantesco para todas as gerações de professores, mas precisamos nos desafiar, desacomodar, porque nada nem ninguém substitui o trato humano, a humanização da docência que só nós, professores de chão de sala, sabemos fazer”, observa.

Créditos: SEDUC RS