Semana do Professor: há 40 anos no magistério, educador conta o que lhe move na profissão

Com mais de 40 anos de magistério, Silverio Fortunato, de 60 anos, não esconde o amor que ainda sente pela profissão. “Se de 100 alunos nós transformarmos a cabeça de um, já vai ter valido a pena”, observa.

Hoje diretor da Escola Estadual Irany Jaime Farina, de Erechim, Fortunato iniciou sua trajetória na educação muito cedo. Aos 11 anos, saiu de casa, em Tapejara, e foi morar em um seminário, em Erechim. Aos 19, entrou para o magistério, no Seminário Nossa Senhora de Fátima. Aos 22, passou a fazer parte da Rede Estadual de Educação, e, aos 24, se tornou também professor da Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões (URI). É formado em Ciências Físicas e Biológicas e em Matemática, e também possui mestrado em Matemática e em Ensino Científico e Tecnológico. Além de professor, foi vereador por quatro mandatos na cidade.

Fortunato acredita que a educação transforma a vida das pessoas, mas que, para a transformação ocorra, é preciso que haja interação entre aluno, professor, família e sociedade. “Para transmitir o conhecimento que tu tens, é preciso conhecer a realidade do aluno. Na nossa escola, procuramos visitar as famílias, saber do que elas precisam, se é comida, é roupa. A educação vale a pena por isso: a gente traz o aluno”, analisa, e complementa que, para transformar vidas, o professor tem que “trazer o aluno no peito” – tê-lo como companheiro e criar uma relação de confiança com ele.

A maior alegria do educador é acompanhar a trajetória de seus alunos. “Uma vez, entre no banco e, de 12 caixas, em 11 havia ex-alunos meus. Em outra, fui consultar um médico e ele também era meu aluno, comentou como foram importantes aqueles dias em sala de aula. Para mim, a maior alegria é ver que o aluno era um batalhador e conseguiu vencer na vida”, comenta.

O diretor reconhece que, hoje, ensinar é diferente de como era quando ele ingressou na profissão. “Hoje, considero que o professor, principalmente em Matemática, se não souber as TICs (Tecnologias de Informação e Comunicação), está praticamente fora do mercado, porque o nosso aluno não quer que ficar só copiando do quadro”, destaca. Fortunato acredita que um professor precisa estar atento às novidades e se adequar aos novos modelos, para que o aluno com novas vivências acesse o seu conhecimento.

Sob a ótica do educador, mesmo quando se desanima, é preciso acreditar que ainda vale a pena lutar pela educação. “Temos que acreditar que a educação vai mudar e que vale a pena. Se transformamos a cabeça de um aluno, já vai ter valido, e sentimos aquele alívio, por termos feito um bom trabalho”, relata. Para os professores mais jovens, Fortunato tem uma mensagem: “Não desanimem. Muda tudo, mas nós seguimos aqui, permanecemos na escola, na sociedade, então é importante que tenhamos conhecimento sobre a realidade da comunidade onde ela se insere, com o intuito de transformar pela educação.”

Créditos: SEDUC RS