Dia do Leitor: alunos contam por que amam ler

Em meio a tantas opções de lazer, o que leva uma criança a dedicar horas de seu dia à leitura? A resposta envolve muitos fatores, mas o segredo, para estimular a prática, está na criação do hábito, seja de consumir livros físicos ou digitais. Neste Dia do Leitor, alunos contam qual sua relação com os livros e por que amam ler.

Maurício Aires da Rosa tem apenas 13 anos, mas já é um leitor inveterado. Com poucos amigos que compartilhassem sua paixão por livros, o estudante do 9º ano da Escola Monsenhor Costabile Hipólito, de Bagé, criou, em 2019, o canal Lendo HQs e literaturas, no YouTube, no qual apresenta novidades no mundo dos livros e faz análises sobre obras que leu, para conversar com outras pessoas sobre literatura.

Em 2020, os proprietários de uma livraria da cidade assistiram a um vídeo do garoto, gostaram e o convidaram a fazer vídeos semanais do tipo para as redes sociais do estabelecimento. Em troca, ele ganha os livros que ler. “É uma parceria muito legal e para mim é fácil, porque eu leio muitos livros. O retorno é ótimo: tenho amigos de outras partes do Estado e de São Paulo, Rio de Janeiro, estados do Nordeste e de editoras que me seguem e agora são minhas parceiras”, cita.

A escola onde estuda estimula a leitura e planeja criar um clube de livros em cada turma. O exemplo maior, porém, veio de casa – a mãe de Maurício é professora e gosta muito de ler, e o avô, José Valvites, é poeta. Quando aprendeu a ler, aos cinco anos, o adolescente era leitor assíduo da Turma da Mônica. Aos poucos, foi se encantando com o mundo das histórias em quadrinhos e se tornou colecionador. De literatura, a primeira obra que leu foi A volta ao mundo em 80 dias, de Júlio Verne. “Eu amei e nunca mais parei”, relata.

O estudante pretende publicar livros e já está escrevendo seu primeiro. Como carreira, porém, pretende ter uma editora das obras. Tanta dedicação demonstra um amor por livros resumido por Maurício em metáforas. “Uma vez, um colega me perguntou por que eu perdia meu tempo lendo. Eu disse que não perco. Pelo contrário: em uma tarde, dou a volta ao mundo em 80 dias, faço uma viagem ao centro da terra. Tem uma frase que diz que ‘o livro livra as pessoas da ignorância’, e acho que é bem por aí. O livro nos deixa mais inteligentes e ainda nos diverte”, pontua.

Foto de Maurício em frente a uma estante de livros
Maurício tem um canal no YouTube onde fala sobre livros e histórias em quadrinho – Foto: Arquivo pessoal

Estímulo à leitura vem do berço

Aluna do 9º ano da Escola Vale Verde, de Alvorada, Érica Winck Abady, de 14 anos, se interessou por livros mesmo antes de começar a estudar. “Eu já ganhava muitos livros infantis e, como não sabia ler ainda, ouvia com atenção as histórias que liam para mim. Depois, ao começar a escola, me interessei mais e já lia com facilidade”, conta. As principais inspirações para o hábito da leitura foram a mãe, a avó e a tia de Érica, esta última, professora de Língua Portuguesa e Literatura.

Para Érica, a leitura aprimora seus conhecimentos, sua linguagem e sua forma de se expressar. “Me permite viver vidas diferentes, acompanhando a história junto com os personagens”, observa a garota, que é fã do gênero Fantasia.

A estudante ressalta que, com os livros, é possível sair do mundo em que se vive e ir para aquele retratado na obra. “Podemos viver diferentes aventuras, conhecer palavras novas e seus significados, ver diferentes maneiras de pensar e agir, além de ser um passatempo divertido e educativo, que estimula nossa imaginação e aprimora nossos conhecimentos.”

Normalmente, Érica prefere livros físicos, mas, durante a pandemia, também adotou a plataforma Árvore de Livros para fazer trabalhos de leitura para a escola. “Minha experiência tem sido ótima, pois aprendemos a evoluir e ter acesso a diversos livros por um único meio”, destaca. A adolescente elogia a biblioteca da Vale Verde, que considera muito bem equipada, e a realização por parte da instituição de diferentes trabalhos envolvendo leitura ao longo do ano.

O supervisor escolar da Vale Verde, Flavio Bilhalva, destaca que a excelência da escola se deve ao carinho da equipe diretiva, professores, funcionários, pais e alunos para com ela. “A nossa escola fica na periferia de Alvorada, numa rua sem pavimentação. Porém, todos cuidam dela com muito carinho. A consequência é que todas as nossas salas têm kits multimídia, lousa digital, som instalado, computador e internet Wi-Fi”, cita.

Bilhalva afirma que, entre outros projetos, um que recebe grande atenção da instituição de ensino é o de incentivar a leitura entre alunos. O projeto, porém, não se sustenta no ar. “É preciso toda uma estrutura, para seduzir o aluno para a leitura, entre tantas outras possibilidades. A proposta precisa estar integrada a ações”, avalia. Na opinião do supervisor escolar, ler é um caminho, mas é necessário atualizar esse acesso à leitura, o que foi feito pela plataforma Árvore de Livros, usada desde o primeiro semestre de 2020 pela escola.

O recurso é usado em todas as disciplinas, mas principalmente em Matemática e Língua Portuguesa, com a instituição sempre dando respaldo ao professor para seus trabalhos. “Os professores fazem projetos a partir da leitura colaborativa, por exemplo, fazendo vídeos nos quais cada aluno lê um trecho de um texto”, diz Bilhalva. Segundo o supervisor escolar, foram lançadas diferentes propostas envolvendo a plataforma e uma leitura foi puxando a outra, envolvendo os estudantes no projeto.

Sob a ótica do profissional, a leitura é uma ferramenta que move mundos. “Um aluno que lê é um aluno que pensa, interpreta, argumenta e sabe fazer escolhas. Leitura é tudo. Um aluno talvez possa não saber tão bem outras ciências, mas, sabendo interpretar, fazer pesquisas, conseguirá acessá-las”, salienta.

Créditos: SEDUC RS