Fiocruz: Pandemia segue arrefecendo

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Júlio Gomes/LeiaJáImagens Movimentação no centro do Recife Júlio Gomes/LeiaJáImagens

A transmissão do coronavírus segue em queda no Brasil, assim como o número de casos graves e de mortes provocadas pela covid-19, indica o boletim do Observatório Covid-19 da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), divulgado nesta quinta-feira, 21. A publicação analisa os dados da Semana Epidemiológica 41, que vai de 10 a 16 de outubro. Nesse período, o País apresentou média diária de 10.200 novos casos e 330 mortes por Covid-19.

As taxas de ocupação de leitos de UTI por pacientes adultos de covid-19 no Sistema Único de Saúde (SUS) mantêm-se em relativa estabilidade, com 25 Estados e 23 capitais fora da zona de alerta, sendo a maioria com patamares inferiores a 50% de ocupação. Os dois únicos entes federativos na zona de alerta são o Espírito Santo, onde a taxa voltou a crescer (de 65% a 71%) e que figura na zona de alerta intermediário, e o Distrito Federal, que permanece na zona de alerta crítico, embora a taxa tenha caído de 89% para 80%.

Para os pesquisadores do Observatório, responsáveis pelo Boletim, o resultado mostra que a campanha de vacinação está atingindo seu principal objetivo, de minimizar o impacto da doença nos indivíduos e na coletividade, contribuindo para o controle da pandemia. Mas eles reforçam que a pandemia não está definitivamente controlada, que a circulação de pessoas nas ruas voltou ao nível da fase pré-pandêmica e que ainda existe risco de reveses, ainda que haja melhora consistente da pandemia.

“A manutenção do atual patamar de transmissão não permite afirmar que a pandemia está definitivamente controlada. A impressão de que já vencemos a pandemia é enganosa, sendo imperioso, nesse momento, continuar vigilante em relação à covid-19. A flexibilização de medidas que protegem contra a transmissão do vírus deve ser adotada de forma cautelosa, paulatina e acompanhada de medidas de vigilância, conjugadas com a adoção do passaporte vacinal, além de testes para identificar rapidamente novos casos e seus contatos. Essas medidas são estratégicas para a redução do risco de contágios no retorno às atividades laborais, educacionais, sociais, culturais e de lazer em ambientes fechados”, ressaltam.

A análise observa que a redução dos níveis de isolamento, indicado pelo Índice de Permanência Domiciliar (IPD), e mesmo o aumento da positividade dos testes laboratoriais, indicam ainda cenários de transmissão do vírus. Além disso, a taxa de letalidade da doença no Brasil (cerca de 3,2%) se mantém em valores considerados altos em relação aos padrões internacionais, “o que reflete a insuficiência de programas de testagem e diagnóstico clínico de casos suspeitos e seus contatos”.

Outra questão sinalizada pelo boletim é a queda abrupta do número de casos e, em menor proporção, do número de óbitos. De acordo com os pesquisadores do Observatório, esse declínio acentuado pode estar sendo influenciado por falhas no fluxo de dados pelo e-SUS e Sistema de Informação da Vigilância Epidemiológica da Gripe (Sivep-Gripe), que vêm sofrendo oscilações na disponibilização de registros.

“Esse fato pode se refletir na divulgação de um número abaixo do esperado durante algumas semanas, seguido de um número excessivo de notificações, o que pode gerar interpretações equivocadas sobre as tendências locais da pandemia e a tomada de decisões baseadas em dados incompletos. Diante desse quadro, recomendam que a irregularidade do fluxo de notificação deva servir como alerta para a tomada de decisões.”

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