Diretora diz ter sofrido assédio sexual dentro do Náutico

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Tatiana Roma, diretora de esportes femininos do Náutico, denunciou nesta segunda (22), em suas redes sociais, um caso de assédio sexual e moral que aconteceu com ela há alguns meses, dentro das dependências do clube. Segundo ela, o crime vem sendo abafado pelo Conselho Deliberativo.

Para não expor a situação ao público em geral, a ideia de Tatiana Roma era entrar com uma denúncia junto ao Conselho Deliberativo, para que o processo seguisse de forma sigilosa.

“Eu, assim como qualquer outra mulher que toma a decisão de denunciar um crime de natureza sexual e moral, já imaginava o que iria enfrentar desde então. Desde desconfiança até discursos que insultam minha honra”, disse.

Tatiana esperava, pelo menos, o afastamento do funcionário, o que, segundo ela, nunca aconteceu, já que o processo foi engavetado. Ela ainda disse que sofreu pressão para que o retirasse.

Presidente do conselho estava ciente

A diretora afirmou ter procurado pessoalmente o presidente do Conselho, Alexandre Carneiro, que a pediu para deixar o processo para 2022, o que não tinha sentido, já que o funcionário que atentou contra Tatiana sairá junto com o presidente executivo, no final de 2021, e não poderá ser jugado pelo conselho.

Procurado pelo portal NE45, Carneiro disse que em outubro de 2021 foi feito “um acordo, uma transação extrajudicial entre as partes, com cláusula de sigilo e confidencialidade, solicitando a retirada da denúncia”. Segundo ele, depois disso, o Conselho “não poderia fazer mais nada quanto ao assunto”.

Edno Melo sabia e tentou acordo

Um acordo também foi proposto à Tatiana Roma quando ela decidiu procurar o presidente executivo do clube Edno Melo.

Ela conta que o presidente do Náutico a convenceu de retirar o processo em troca de deixar o funcionário encerrar seu trabalho em 2021 e em contrapartida doar cestas básicas para uma instituição de caridade. “Só queria me livrar daquilo e ter paz de novo”, desabafou ela, que afirmou que nada do acordado foi cumprido.

“Decidi entrar com uma nova petição, pedindo o afastamento do funcionário em até 48 horas. […] Óbvio que novamente nada aconteceu, a não ser o fato de que comecei a sofrer difamações internas no próprio Náutico”, explicou.

Ameaças

Tatiana revelou ter sofrido ameaças, vindo desde membros da torcida organizada Fanáutico até outras pessoas desconhecidas por ela. A mais recente, uma ligação para um familiar, que foi o estopim para trazer sua denúncia para o público.

“O que achei que estava ruim e não podia piorar, é claro que piorou. Ligaram para uma pessoa da minha família tentando me intimidar. Aí foi a gota d’água para todo o desabafo”, declarou.

Caso sai do Náutico e vai para a polícia

Sem a ajuda do Conselho e dos superiores, Tatiana Roma entrou com uma denúncia contra o funcionário na Delegacia da Mulher, endossada por outras quatro mulheres que tem ligação com o Náutico e afirmaram ter sofrido abusos sexuais ou morais do mesmo homem.

“Antes de dar continuidade a denúncia, fiz questão de ligar para algumas mulheres que trabalham ou trabalharam no clube durante os últimos quatro anos para saber se elas também tinham sofrido algo relacionado ao funcionário. Incrivelmente, das cinco mulheres que liguei, quatro me revelaram terem sofrido algum tipo de importunação da mesma pessoa”, revelou.

Resposta

O presidente do Conselho Deliberativo do Náutico, Alexandre Carneiro, emitiu uma nota sobre o caso. “Em 7 de outubro de 2021 foi feito um acordo, uma transação extrajudicial entre as partes, com cláusula de sigilo e confidencialidade, e a ofendida solicitou a retirada da denúncia. Depois disso o Conselho não poderia desfazer o acordo, tampouco quebrar o sigilo e a confidencialidade que as próprias partes elegeram”, disse.

Confira a denúncia:

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