Dália Alimentos realiza encontro de delegados

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Lideranças fizeram uma avaliação de 2021 e projeção para 2022

Conduzido pelo presidente Executivo Carlos Alberto de Figueiredo Freitas e presidente do Conselho de Administração Gilberto Antônio Piccinini, a Dália Alimentos realizou, na quinta-feira (16), na sede da SCREC, em Encantado, o encontro com os delegados para avaliação de 2021 e projeção de 2022.

Participaram 68 delegados que representam as 2.915 mil famílias associadas nos 130 municípios de abrangência da Cooperativa (Região Alto do Vale do Taquari, Região Vale do Taquari Sul, Região Vale do Rio Pardo, Região Vale do Taquari Leste, Região Centro Serra, Região Vale do Taquari Oeste, Região Serra Planalto e Região da Serra) e também conselheiros Administrativos e conselheiros Fiscais.

“Queremos que saiam daqui entendendo a situação difícil do nosso setor e de que forma podemos passar por esta tempestade. Em 40 anos de experiência esta é a crise mais longa da história das agroindústrias”, disse Freitas, apresentando o faturamento de R$ 1.741.531.270 e projetando um fechamento em R$ 1,9 bilhão. “Foi necessário desacelerar e reduzir o abate de frangos e suínos em um momento que vínhamos crescendo, com expectativa de atingir o faturamento de R$ 2,2 bilhões. É um cenário generalizado das agroindústrias brasileiras e, principalmente, do Rio Grande do Sul, onde vem se acumulando grandes prejuízos”, reforçou.

Ele lembrou que este cenário negativo não é questão de competência das empresas, mas reflexo do mercado. “A Cooperativa é eficiente para tornar o negócio rentável, mas quando tudo é desfavorável não tem como fazermos milagres, diante dos custos de produção, que desde junho cresceram exponencialmente. Nós não estamos conseguindo repassar o custo dos produtos para o consumidor, porque não há dinheiro. A expectativa é que estes custos diminuam em agosto de 2022, considerando que não haverá a recuperação do salário”, destacou.

De acordo com o presidente Executivo, o principal problema é o milho, que em janeiro de 2020 estava R$ 47/saco e, hoje, está R$ 96/saco, uma variação de 104%, insumo que em função da estiagem deverá continuar subindo. “O Brasil começou a exportar e a venda aqui passou a ser baseada no preço do mercado internacional, mas lá, diferente daqui, o consumidor consegue pagar”, explica.  

Outro fator negativo para as cooperativas gaúchas, segundo Freitas, é o aumento do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) – mais alto que nos outros Estados -, ocorrida no mandato Sartori e que foi mantida até este primeiro ano da gestão Leite, mas que a partir de janeiro volta ao que era. “Porém, através de decreto, o governador reduziu os créditos presumidos das agroindústrias, o que de forma indireta aumentará nossos impostos em 5% (2022), 10% (2023) e 15% (2024). Vamos pagar a conta dos programas sociais”, frisa. 

Apesar de um cenário negativo, conforme Freitas, o Estado poderia recuperar parcialmente a competitividade perdida nos últimos anos aumentando a produção de grãos destinados à ração animal, além de melhorar a produtividade dos programas de produção Dália e dos processos industriais e administrativos. A busca de mercados internacionais mais rentáveis, a prestação de serviço industrial a outras empresas, a busca de escala viável e a verticalização, são possíveis soluções para reduzir os impactos.“A única coisa que nós podemos fazer é ter resistência, pois precisamos passar este período difícil e sobrevivermos; não podemos nos acomodar, precisamos olhar para dentro de nossa empresa e de nossas propriedades e nos tornarmos cada vez mais eficientes, sempre mantendo a calma. O país está politicamente confuso, o que complicou a vida econômica. A pandemia afetou o mundo e se transformou em uma questão política e ideológica. O momento atual, a princípio, deve se acirrar com as eleições, alguns problemas vão se agudizar, mas dependendo de quem for eleito, poderá se amenizar e obter um equilíbrio. No entanto, também poderá ocorrer algo inesperado, pois o mundo inteiro está acompanhando a crise na produção de carnes e lácteos, desestimulada, e ninguém vai trabalhar só no prejuízo sempre. Então, esta crise pode reverter muito rápido e falo isso embasado no princípio de que ninguém vai perder dinheiro a vida inteira”, finalizou.

Piccinini abriu sua fala reforçando as palavras de Freitas. “Perfeição não existe em lugar nenhum, a Cooperativa é transparente ao extremo, enquanto outras não abrem os números, sejam sobras ou prejuízos, é do negócio. Milagre não existe, o que existe é compromisso em cuidar do que é nosso”, destacou.

Na sequência, Piccinini trouxe informações relacionadas à Declaração de Aptidão ao Pronaf (DAP) que passará por conversão até o segundo semestre e será denominado Cadastro Nacional da Agricultura Familiar (CAF). Ele falou da importância da atualização, enaltecendo que é necessário ter no mínimo 50% de inscritos para se competir no mercado. “São esses detalhes que nos tiram o resultado, principalmente, num ano difícil”.

Outro ponto discutido com os delegados e que o presidente do Conselho Administrativo solicitou atenção foi sobre o regimento interno, o estatuto social e os programas de produção da Dália. “ Somos uma Cooperativa muito respeitada, então cabe ao Conselho de Administração e a vocês, delegados, fazerem valer o que está escrito, assegurando o bom funcionamento que irá fortalecer o todo”, frisou.

Piccinini novamente lembrou da Lei Geral de Proteção de Dados – tratado no último encontro – e da cartilha sobre o Código de Conduta Ética e Responsabilidade, e comentou sobre o planejamento das assembleias regionais, que no próximo ano (março) poderão voltar a ocorrer de forma presencial, cumprindo todos os protocolos sanitários. “Assim como as assembleias, está sendo organizado o retorno das reuniões da escola do leite, de forma online e presencial. Queremos abordar assuntos sobre gestão, para formação de lideranças, trazendo aos delegados pessoas capacitadas para orientar o trabalho e acrescentar bagagem para o dia a dia”, comentou.

Por fim, o presidente destacou que foi organizada uma comissão para tratar das ações dos 75 anos da Cooperativa – comemorados em 15 de junho – e que estão previstas atividades culturais, esportivas, inauguração da queijaria, 2º edição do livro da Dália Alimentos, projeto nas escolas para envolver crianças, entre outros.

“A Cooperativa mudou seu conceito, é referência em inovação, crescimento, tem problemas sim, mas traz soluções. Estar aqui é se antecipar, é planejar, por meio de debates e estudos. Enfrentamos este ano difícil, mas a Dália está sólida, está muito bem-posicionada e reconhecida. Este valor humano, o que estamos aprendendo até hoje, compartilhando e ouvindo, isto é inestimável. O mercado nem sempre é o melhor que esperamos, mas o nosso quadro social é de valor, grande, importante e mantém a cooperativa  viva e crescendo”, concluiu.

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